Descanse em paz, Lucie…

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Menos de uma semana, e duas fatalidades nas estradas da Europa. Depois do trágico acidente que vitimou o navegador britânico Gareth Roberts na oitava prova cronometrada do Rali Targa Florio, válido como quinta etapa do Intercontinental Rally Challenge (IRC), a quinta-feira trouxe outra notícia triste para o esporte. Lucie Vauthier tinha 28 anos e, com Cecile Pagès, comandava um Citroën C2 R2, na teoria um carro que responde às mais modernas exigências de segurança. A história não foi muito diferente da protagonizada por Roberts e seu piloto Craig Breen: logo na primeira especial do Rali Vins Macôn, válido pelo Campeonato Francês, um golpe violento em uma ponte, a quase 150km/h, e a desaceleração imediata se mostrou fatal. Lucie vinha sendo mantida em coma artificial, mas não resistiu aos ferimentos.

Claro que é sensacional ver Sebastien Loeb, Mikko Hirvonen ou Jari-Matti Latvala desafiando a gravidade e as leis da Física a mais de 200km/h, mas o segredo do rali não está na velocidade máxima que se alcança, e sim em ser o mais rápido que permite cada pedaço de estrada, asfaltada ou de terra. Passar a 100km/h onde um carro de rua não andaria a mais de 50km/h, saltar onde um motorista comum frearia, corrigir com precisão a traseira da máquina, que insiste em apontar para o lado oposto. As médias em Monte Carlo, por exemplo, por vezes não passam dos 75km/h, 80km/h. Mas vai ver como é acelerar ao lado dos parapeitos, num caminho estreito e traiçoeiro, com trechos de gelo. Cada tragédia ensina, e a segurança dos carros é grande como nunca foi. Pelo visto, o que tem de ser feito é avaliar melhor os percursos e lembrar que o impacto de uma massa metálica com um muro de concreto ou uma parede pode ser mais forte do que qualquer medida de proteção. Risco zero é impossível, mas ninguém senta num carro de corrida para tirar a própria vida ou a de quem quer que seja. Se for o caso de encurtar as provas, que seja, em nome da segurança.

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