De patinho feio a atração da velocidade…

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Rallycross. Calma, esqueça o que se pratica do lado de cá do Atlântico, que virou um misto de competição e espetáculo, com saltos (alguns muito perigosos) e muito mais asfalto do que terra. Estou falando do esporte que surgiu no fim da década de 1970 na cidade francesa de Loheac, quando pensaram em colocar os carros de rali num traçado curto, com várias voltas e ao mesmo tempo na pista – e um formato de eliminatórias até determinar os finalistas, que brigariam pelas posições no pódio. Muita gente boa se arriscou – Guy Frequelin se transformou no “Ogro” graças às suas vitórias; e sobrenomes nobres como Andruet, Jaussaud, Larrousse, Saby e Beltoise foram conquistados pela modalidade, que ganharia a Europa e traria, com ela, uma legião de ingleses, irlandeses, suecos, noruegueses, russos, ucranianos e agora norte-americanos. Mas o Rallycross continuava confinado às páginas menos nobres das revistas, isso quando merecia espaço. Em alguns países, era totalmente ignorado. E olha que as máquinas se tornavam cada vez mais extremas. Se no WRC existem limites de entrada de ar, ou de pressão do turbo, no RX eles são bem mais generosos. O que deixa os carros com algo em torno de 550 a 600 cavalos, que acabam sendo muito para o tipo de pista – daí o valor dos pilotos.

Pois os X-Games, da ESPN, estão exportando o Rallycross inclusive para o Brasil (Foz do Iguaçu abrirá o Global Rallycross Championship, no fim de abril) e ajudando a popularizar a modalidade com nomes como Ken Block, Tanner Foust, Brian Deegan e Patrik Sandell (além de Nelsinho Piquet, que vai encarar o desafio com um XRC “made in Curitiba”). Mas é na Europa, o berço, que o esporte vive um novo momento. Agora há um promotor forte, patrocinadores de peso e nomes que dispensam comentários, como os irmãos Petter e Henning Solberg, que se juntam à lenda Kenneth Hansen e a outros craques na Supercar, a divisão principal.

Serão 15 pilotos fixos e cinco convidados por etapa, com direito, lógico, a parada em Loheac. O formato de disputa poderia ser um pouco mais simples – só para resumir, o vencedor da final pode não ser o piloto que mais pontuou num fim de semana – mas o que importa é que belas disputas não faltarão, a começar por este fim de semana, em Lydden Hill. Como temos feriado bancário na Inglaterra, a ação se dará mesmo amanhã (segunda-feira). Bem que a ideia podia ganhar corpo e merecer espaço no Brasil, já que temos carros, pilotos e uma base (a velocidade na terra, que não deixa de ser uma prima próxima). Quem sabe um BRC?

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