Daytona, interessante, mas…

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Então chegou a hora da 62ª edição das 24h de Daytona, a Rolex 24, e embora seja uma prova normalmente sensacional por conta do número elevado de neutralizações, que ajudam a compactar o pelotão – nos últimos anos o comum tem sido a definição por segundos, coisa rara numa maratona de um dia –, nem tudo é como poderia, ou deveria ser. Ficamos de olho no que se passa na pista da cidade da Flórida onde nasceu o conceito de stock car muito porque não há nada diferente no período, e porque ainda é um evento diferenciado, com um nível de pilotos e equipes elevado. Mas, não é Le Mans, nem mesmo Sebring. Especialmente porque o traçado, de desafiador, não tem quase nada. É uma questão de se acostumar ao impressionante banking (e aí o segredo é acelerar ao máximo e se valer da aderência imensa) e de se virar no infield, que foi desenhado como dava, e onde dava. Não existe prova de endurance em oval e seria necessário criar um traçado alternativo para justificar a nova prova, como foi feito, em 1962. Mas há limitações de espaço, de trajetória, e a volta é bastante curta para os padrões da categoria.

Para complicar as coisas, a IMSA resolveu abraçar o mundo com as mãos e, enquanto manteve os carros da GTLM exatamente como correm no WEC, optou por pneus de desempenho mais modesto para os protótipos, e a diferença é brutal especialmente na chuva. Já havia acontecido na última Petit Le Mans, quando a Porsche 911 RSR de Tandy e Pilet venceu no geral, e agora se repetiu em Daytona. Valendo-se da soma entre motor traseiro entre-eixos e os impressionantes Michelin, Nick Tandy, de novo ele, cravou o melhor tempo entre os 54 inscritos, quatro segundos mais veloz que o BR01-Nissan do time SMP Racing. Valeu apenas como marketing, já que os P2, DP e LMPC vão largar amanhã à frente, mas não seria bom para o espetáculo desmoralizar uma categoria mais cara e potente. Tudo bem que conseguir o sonhado Rolex Daytona Oyster Perpetual oferecido apenas aos vencedores é um feito bastante grande, mas podia ser ainda maior. E se continuar chovendo, sabe-se lá o que vai dar. Tomara que eu queime a língua e seja sim, uma prova sensacional, na medida do possível, que Sebring e Le Mans chegarão mais tarde…

tn.jsp

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