COMO FOTO NÃO TEM SOM…

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Tão interessante quanto o fato de reunir os cinco pilotos brasileiros entre os 26 inscritos para a segunda edição da São Paulo Indy 300 é saber que o encontro é garantia de diversão na certa. Longe das neuroses da F-1 e suas frases feitas, da ditadura dos assessores de imprensa e seus gravadores onipresentes, prontos a registrar qualquer deslize para fazer o coitado entrar na linha (deles, claro…). É possível ser rápido, talentoso e ter opinião sem que isso represente risco de ser chamado para uma conversa por instâncias superiores. Por isso mesmo, do lado de cá do Atlântico, Helinho pode dizer que não gosta do sistema de relargadas inspirado na Nascar, com os pilotos alinhados dois a dois (entendo que o público norte-americano prefere assim, pode ser mais emocionante, mas não para nós). Vítor Meira pode provocar Tony Kanaan, que trocou a poderosa Andretti pela menos poderosa KV Lotus, ao dizer que, enquanto seu carro para os circuitos mistos está em São Paulo, o chassi para as 500 Milhas de Indianápolis está na sede do time de A.J.Foyt.

“Você tem dois carros? Tá bem, hem…”, provocou o baiano. “Pois é, quem te viu e quem te vê, agora você tem apenas um”, devolveu o brasiliense, em clima de total descontração. Rafa Matos garantiu que não vai formar fila dupla na curva 1, por um motivo simples. “Ali só cabe um carro, ou é acidente na certa. Ninguém vai me ver fazendo isso, que eu não sou bobo”. E Bia Figueiredo, com estilo fashion e marca do patrocinador até na tala que protege o punho operado, pedir desculpas pelo atraso, alegando que “estava retocando o batom”. Aliás, um deles, cuja identidade eu não revelo nem sob tortura, brincou com o fato de encarar Bia, Danica Patrick e Simona de Silvestro, e nem sempre levar a melhor. “Estou acostumado a correr cercado de calcinhas” – claro que aí a brincadeira não foi pública, mas é digna de uma categoria com astral totalmente diferente. Felizmente, por estas bandas, não há divisórias barrando os olhos curiosos do trabalho das equipes, entrevistas cronometradas rigorosamente ou a torcida incontrolável para que um piloto tenha de ir ao banheiro para pegar uma declaração pelo caminho. Os tempos mudam, pilotos e equipes também, mas o espírito bem mais leve prevalece. Ainda bem que, na IRL, o espetáculo é ordem, e o torcedor é quem manda…

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