Como acabar com os ralis em um estágio…

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Eu jurava que a chegada da Red Bull como promotora do Mundial de Rali (WRC) seria algo positivo, mas é impressionante como um conglomerado tão eficiente em tantas áreas e acostumado a lidar com esportes de ação tem feito bobagem sobre bobagem. Começou com os problemas de cronometragem e na repaginada dada no site oficial; passou pelas questões promocionais e chegou ao auge quando dirigentes e chefes de equipe, unidos, ameaçaram um boicote durante o Rali do México, já que discordavam da forma de promoção do evento e de como vinham sendo jogados para escanteio.

Mas, diria o filósofo, nada é tão ruim que não possa piorar e, com as bênçãos da presidente da Comissão de Rali da FIA, Michéle Mouton, tiveram início as discussões para alterar o formato das provas e torná-las mais agradáveis aos olhos do espectador. Do espectador da TV, lógico, já que quem é realmente fã do rali acampa de véspera ao lado das especiais, lota as largadas promocionais; acompanha, de graça ou pagando um ingresso razoável, a movimentação das equipes no parque de assistência, ficando muitas vezes próximo de pilotos e navegadores.

Só que o passado da modalidade parece pouco importar. As etapas do WRC, que já tiveram ao todo mais de 1.200km de especiais, dia e noite, quase sem folga, hoje não passam dos 300, mesmo assim num formato engessado, que não permite invenções. E uma medida interessante para esquentar as provas foi atribuir pontuação extra num determinado estágio (normalmente o último), o Power Stage, com três pontos para o primeiro; dois para o segundo e um para o terceiro.

Até aí tudo bem. Mas o que pretende fazer Oliver Ciesla, o diretor da promotora e homem-forte do WRC beira o ridículo. A ideia infeliz do dirigente é fazer com que os carros andem os mesmos 300km cronometrados apenas, e tão somente, para definir as posições prévias. E que, com base nelas, haja um emparelhamento entre os três primeiros; do quarto ao nono, e assim por diante, que determinaria a classificação final, num estágio transmitido ao vivo.

            Volkswagen Motorsport/divulgação

Como assim, cara-pálida? Fazer as duplas andarem isso tudo para decidir em meia hora é algo completamente sem sentido – arrisca-se a vida e a reputação ao longo de três dias para então, com a faca entre os dentes, brigar pelo que realmente vale. E a diferença que uma dupla tiver estabelecido para as perseguidoras? Pelo visto, vai ser totalmente anulada, tornada desnecessária. Melhor escolher um circuito de Rallycross e mandar os carros à pista um a um sem etapas extras, sem riscos maiores de quebra, de furo de pneu, ou outros problemas. Daqui a pouco vão criar um dia de treinos livres, outro de qualificatório e, no domingo, tudo se decide como se fosse um GP de F-1. Que se mude então o nome da modalidade, porque será tudo, menos rali. Do original rally, que é se reunir, se mobilizar, e para um evento de endurance, não para um sprint de minutos. Mudanças são válidas, desde que não acabem com a essência do esporte (o vôlei fez isso com sucesso). A continuar assim, o WRC vai perder muitos fãs, não ganhar os da telinha, como se pretende…

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