CASO DE AMOR ARRANJADO…

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 A relação entre o Mundial de F-1 e os Estados Unidos nunca foi das mais estáveis. De início, as 500 Milhas de Indianápolis somavam pontos para o campeonato, mas poucos foram os que tentaram deixar o conforto da Europa para enfrentar os especialistas no oval. Depois vieram Sebring, Riverside, Watkins Glen, Long Beach, Las Vegas, Detroit (e seu inesquecível circuito de rua, que Ayrton Senna ajudou a eternizar), Dallas, Phoenix e, de volta para Indianápolis para o misto inaugurado em 2000, que reuniu até bons públicos, foi palco da marmelada das marmeladas em 2005 (o episódio da fuga inevitável da Michelin, com apenas seis carros largando), mas saiu do calendário depois que Tony George, então representante da família dona das instalações e Bernie Ecclestone entraram numa briga de cachorro grande, sem acordo.

Pilotos houve vários marcantes, dois deles campeões do mundo (Phil Hill e Mario Andretti), equipes do país da bandeira estrelada mas… o sonho de concorrer com a Nascar, o beisebol, o futebol americano, a NBA e o hóquei profissional no interesse do torcedor nunca se concretizou (e nunca vai, a bem da verdade). A farsa em que se transformou o projeto da USF1 apenas ajudou a piorar as coisas, muito embora boa parte das montadoras envolvidas na categoria tenha grande interesse no mercado norte-americano.

Agora, em questão de dias, a terra do Tio Sam se vê ligada à F-1 em duas notícias diferentes. O Tio Bernie garante ter fechado um acordo para levar a categoria a um circuito digno do que há de mais moderno no planeta – difícil acreditar considerando a cultura yankee, em que normalmente nem boxes há e as equipes montam suas tendas à beira do pitlane – em Austin, no Texas. Terra do ciclista Lance Armstrong, mas de pouco apelo para o torcedor “normal”. Em Indianápolis ainda há a magia do local, o museu e tudo o que gravita em torno da velocidade – para se ter uma ideia, o subúrbio onde está o oval ganhou o nome de Speedway. Dallas, Phoenix e Las Vegas, todos no meio oeste, foram fracassos retumbantes.

E, para completar, um tal assessor do fundador do You Tube, de nome Parris Mullins, diz estar à frente de um novo grupo disposto a criar a tão esperada equipe dos EUA.Chad Hurley, que fez fortuna ao criar o site em que qualquer internauta do planeta pode postar (e assistir) o vídeo que bem entender, era um dos incentivadores do projeto da USF1 e nem seu nome ajudou a tirar o projeto do estágio de sonho. Agora surge até o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo dizendo que adoraria fornecer motores à nova escuderia, repetindo a dobradinha da década de 1950, quando os carros alinhados pelo importador norte-americano, Luigi Chinetti (e sua lendária Scuderia NART) desafiavam as máquinas oficiais de Maranello. Se vai dar certo uma iniciativa como a outra? Só vendo para crer. O nome de Mr.Ecclestone costuma ser sinônimo de coisa bem feita, mas ele próprio já prometeu muita coisa sem cumprir. Respostas nos próximos meses. Se os EUA vivem sem a F-1, pelo visto a F-1 não vive sem os EUA.

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