Capuccino amargo – Coluna Sexta Marcha

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Como eu estava em trânsito, vindo do Mundial de Kart de volta a casa, a coluna sobre o GP da Coreia do Sul, tal e qual publicada no Estado de Minas, demorou algo mais que o usual, mas ainda está mais do que atual. Mesmo porque não é sempre (aliás, foi a primeira vez) que se tem o privilégio de ver uma corrida cercado por representantes dos tifosi, cada vez mais desiludidos com o carro de Maranello e, especialmente, com Fernando Alonso, que não se mostrou capaz mesmo de superar Nico Hulkenberg. Felipe Massa rodou, caiu pra lá do Deus me livre, mas pelo menos mostrou uma capacidade de reação ainda apreciada pela turma da terra da bota…

Capuccino amargo

Pela primeira vez na vida, que ganhou esta semana uma década cheia, tive a chance de acompanhar um GP não da Itália, mas na Itália, o que dá um ponto de vista bastante diferente, e especial. Antes de mais nada, só o faria pela TV por estas bandas se fosse assinante de um canal pago, não qualquer um, mas o Sky Sport F-1 HD. E o último lugar em que tal serviço estaria disponível é no Circuito Internazionale di Napoli, onde pilotos de todo o planeta brigam pelo título mundial de kart, na categoria KF Júnior – e não deixa de ser curioso, no momento exato em que escrevo, ver Michael Schumacher passar a não mais que 5 metros de distância, de bicicleta.

Voltando ao capuccino quente, que é melhor do que a vaca fria, e a tela do computador virou lugar de peregrinação. De repente me vejo cercado por mecânicos, pilotos, pais e tantos mais, olhos atentos ao que se passa em Yeongam, enquanto a chuva atrasa o início da programação na pista. E é divertido ver como é a torcida típica dos tifosi. Que se indignam ao ver que Fernando Alonso não consegue superar a modesta Sauber do grande Nico Hulkenberg, muito mais do que com a rodada de Felipe Massa.

“La Ferrari proprio non va” (A Ferrari não anda) é a frase que mais ouço, sem contar os impropérios dirigidos a Lewis Hamilton ou qualquer outro que ouse ameaçar a posição do espanhol. Palavrões impublicáveis, acompanhados dos inevitáveis gestos com as mãos, sem os quais meus antepassados não se comunicam.

E o problema é que o capuccino quente fica amargo com o insosso sexto lugar de Alonso, recebido com expressões de desânimo, como se houvesse a impressão de que equipe e piloto jogaram a toalha, por mais que ainda tentem. Pelo menos há espaço para o bom humor: cada um que pega a corrida andando brinca ao constatar quem lidera. “Nossa, que surpresa. Vettel?”. Tão comum que, incêndios, carros de serviço na pista e pneus dechapados à parte, a notícia do domingo é o desempenho de outro alemão, mais um, que não merece ficar sem emprego em 2014, ainda que isso represente fechar para Massa a melhor porta, que é a Lotus. Só resta saber agora a partir de qual GP o circo passa a cumprir tabela, algo nada bom para o espetáculo. E pensar que a ideia é ampliar o calendário.

Que diferença

Por falar em Schumacher, que diferença entre a postura do alemão e a de outro ex-ferrarista, Jean Alesi, quando se trata dos herdeiros. O alemão tenta pôr o filho Mick numa bolha, e tudo o que ele parece conseguir entre os adversários é antipatia e mais vontade de superá-lo. Tanto que cada vez menos a imprensa especializada faz questão de lembrar quem é o pai de Mick Betsch. Já o francês não apenas traz o filho para dar a cara para bater num momento em que ele ainda não está maduro para encarar adversários tão fortes, como faz questão de acompanhar Giuliano e só se dar por satisfeito depois que o garoto pediu desculpas ao chines Yifan Xia pelo toque numa das baterias classificatórias. O tempo dirá quem dos dois será o melhor piloto. Mas já dá para cravar qual deles será a melhor pessoa..

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