Baby boom nas pistas…

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Houve um tempo, no século passado (literalmente) em que a coluna Sexta Marcha era publicada durante a semana no Estado de Minas. E num dos vários textos publicados, eu brincava com a tendência das principais equipes do automobilismo mundial de apostar em pilotos cada vez mais jovens – lembremos que foi muito antes de fenômenos como os de Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. Eu dizia que chegaria a hora em que os olheiros das escuderias passariam a procurar por talentos já na maternidade.

Não chega a tanto, mas o fenômeno ganha agora outra feição. E o melhor exemplo, depois do russo Daniil Kyvat, que ninguém mais questiona (muita gente duvidou que ele estivesse maduro o suficiente para saltar da GP3 à F-1), vem novamente da empresa de bebidas energéticas do touro vermelho. A Red Bull gastou mundos e fundos para pagar a rescisão do contrato do holandês Max Verstappen, de 16 anos, com a McLaren – Doktor Helmut Marko esteve pessoalmente no Red Bull Ring, durante etapa do DTM e do Europeu de F-3, para negociar com o filho de Jos, que até o ano passado andava de kart e, agora, se vê muito próximo da F-1, em coisa de um ou dois anos – aliás, diga-se de passagem, que nenhum pai repita o que faz o ex-piloto da Benetton com o herdeiro. Eu vi, na pista, por duas ocasiões, uma cobrança absurda, e muita gente garante que a coisa funciona na base dos tapas, o que eu não posso confirmar.

Voltando ao touro vermelho frio (deixemos a coitada da vaca em paz), sou do tempo em que o caminho até o circo era marcado pelo começo nos monopostos com, pelo menos, 17 anos, e a passagem por F-Ford, dela para a 2000 ou a Renault; F-3, F-3000/GP2/Renault World Series e, para os sortudos eleitos, a F-1. E o habitual era a história de dois anos por categoria – um para aprender, outro para vencer.

Goste-se ou não, isso não existe mais, ou pelo menos não precisa existir. A geração atual convive desde pequena com a telemetria, no kart, treina absurdamente mais, compete muito e, quando bem orientada, consegue dar o salto que Verstappen Júnior deu, direto para a F-3 e, dela, para coisa ainda maior. E nem dá para condenar pais, orientadores e os próprios pilotos. Se não há dificuldade em saltar de 30 para 240cv, realmente de nada adianta tentar na F-Júnior, F-4 ou outras categorias de acesso. Mesmo porque o dinheiro muitas vezes é curto, e quanto menos tempo até o topo, melhor. Só não pode se tornar padrão – querer que todos os aspirantes a campeão sejam tão eficientes a ponto de dispensar as etapas intermediárias. Ou muita gente boa vai se perder sem mostrar do que realmente é capaz…

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