Allard J2X, um quase desconhecido…

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Quem viveu a década de 1990 no automobilismo mundial além da Fórmula 1 há de lembrar que, por obra e graça de Max Mosley, as provas de protótipos quase morreram, numa era em que as máquinas se tornaram sofisticadas demais e igualmente caras. Era possível usar os motores deixados de lado pelo circo (os 3.500cc V10, ou V12) e os carros eram quase fórmulas carenados. Me lembro bem de um comentário de Raul Boesel sobre um teste em Silverstone, com um Jaguar. “Havia uma McLaren (de F-1) na pista ao mesmo tempo, já que naquela época treinavam todos juntos. Lógico que nas retas ele sumia, mas o mais impressionante é que, nas curvas, várias vezes eu encostava e ficava em condição de ultrapassar”. Jaguar que, então, era capitaneada por um certo Ross Brawn.

Jaguar, Peugeot e Toyota eram os carros mais conhecidos, os que brigavam pela vitória, mas chama a atenção um injustamente esquecido que, já naquele tempo, me chamou a atenção. Um grupo de entusiastas comprou os direitos sobre a marca Allard, sinônimo de esportivos britânicos na década de 1950. Arrumaram um motor Cosworth V10, um câmbio March de F-1 e convidaram um jovem John Iley, que mais tarde brilharia na Ferrari e na McLaren como especialista em aerodinâmica. A turma queria um carro que marcasse época e apresentasse soluções revolucionárias, como o levíssimo cockpit monocoque em fibra de carbono, ou uma asa dianteira que aumentasse o downforce sem comprometer o arrasto. Se você olhar bem, o J2X, apresentado em 1993, parece atual ainda hoje. De início ele era muito lento, mas alguns ajustes no projeto o tornaram um adversário digno dos rivais. Só que o dinheiro acabou e a ideia de vender o J2X a equipes privadas não vingou. O riquíssimo piloto e empresário grego Costas Los o alinhou em algumas etapas da IMSA, nos EUA e repassou o projeto a Ross Lamplough, que ainda tentou se qualificar para Le Mans, sem sucesso. Mas muitos reconhecem que as soluções usadas no J2X serviram de inspiração para máquinas que viriam bem mais tarde – o uso dos gases de escapamento para aumentar a pressão no difusor é uma delas. Mais do que as palavras, vale conferir as imagens…

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