Adeus, Barão…

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Viver 92 anos é uma senhora façanha, especialmente depois de muitas estripulias ligadas à velocidade, mas há pessoas que deveriam ser eternas – na verdade serão nas lembranças, nas histórias, no legado. Caso de Wilson Fittipaldi, o Barão, que nos deixou hoje para acelerar nas pistas celestes. Seria fácil defini-lo simplesmente como “o pai de Emerson e Wilsinho, o avô de Christian”, mas é muito mais adequado afirmar o contrário, tamanha a importância deste afável e simpático senhor para o esporte a motor.

Foi Emerson quem contou que o pai quase teve um troço quando ele resolveu aprontar sobre duas rodas, a ponto de tomar a moto e dar carta branca apenas para acelerar de carro, o que ele viria a fazer muito bem. “É que ele havia levado um tombo seríssimo em Interlagos, um piloto espanhol morreu na mesma corrida”. E Wilson, ao lado de Eloy Gogliano, foi o criador das Mil Milhas Brasileiras, inspiradas na prova de mesmo nome disputada na Itália e evento que só não permanece no calendário da nossa endurance por pura e absoluta incompetência das novas gerações.

Embora eu não fosse nem projeto de gente (nasceria um ano depois), ainda hoje me arrepio ao ouvir os momentos finais da narração do GP da Itália de 1972 – sim, o Barão era o responsável por trazer, pelas ondas da Rádio Panamericana, as emoções do circo naqueles tempos. O que dizer da emoção de um pai que vê o filho coroado melhor do mundo, e ainda se preocupa em justificar o tom de voz? “Senhoras e senhores, me desculpem, mas é o meu filho, campeão mundial de automobilismo”. E ele viu muito mais, fez muito mais, nunca abriu mão de um centésimo de sua paixão pela velocidade, teve a chance de ver um bisneto seguindo o mesmo caminho. Não é o caso de dizer “descanse em paz, Barão”, mas, “acelere em paz, Barão”. Obrigado por tudo…

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