A fórmula do silêncio começa com muito barulho…

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Lembram-se da Fórmula E, que começou com a ideia da construção do Formulec, evoluiu a ponto de ser encampada pelo milionário espanhol Alejandro Agag e vinha se preparando para a estreia? Pois é, chegou a hora. Superadas as cinco sessões de treinos coletivos em Donington (onde está o quartel-general da categoria), testados os principais procedimentos, como largadas e trocas de carro – sim, no pitstop não se trocará pneus ou baterias, mas de um chassi se passará para o outro, já que a autonomia, no estágio atual, não permite suportar os 60 minutos de corrida com um peso razoável para o conjunto.

E um circuito de rua sem grandes desafios, é verdade, em torno do Ninho do Pássaro, o estádio olímpico de Pequim’2008, será o primeiro teste real de uma categoria que pode não fazer barulho na pista, mas vem conseguindo gerar muito fora dela, atraindo atenções seja pelo desafio em si, seja pelas feras envolvidas. Afinal, reunir 10 pilotos ex-F-1, sendo que boa parte deles poderia perfeitamente ainda estar lá, não é pouca coisa. Assim como reunir times como Dams (e-Dams, para ser mais correto), Andretti, Dragon e Super Aguri (lembra dele?) num mesmo grid.

E a ideia de levar a categoria a públicos pouco acostumados com o automobilismo ou abertos à novidade também é uma boa. Imagine se tivéssemos recebido o campeonato no Aterro do Flamengo, como previsto inicialmente, com imagens para o mundo todo? Vai acontecer em Putrajaya, na Malásia, em Punta del Este, Buenos Aires, Long Beach (uma versão mais curta do traçado ex-F-1), Berlim, Mônaco e Londres. Agag, assim como a FIA, as equipes e os pilotos, adotam um discurso inteligente e coerente, sem querer transformar a Fórmula E na “fórmula do futuro”, como se o barulho, mesmo abafado, dos motores a explosão, fosse desaparecer a curto prazo.

É outra categoria, outra história, outro sistema de disputa, e segue a ideia de vários esportes de concentrar a temporada do meio de um ano ao meio do outro – teremos campeonato 2014/2015. E depois do desaparecimento da A1GP e da Superleague, que ocupavam bem este espaço e garantiam espaço a trabalho a muita gente boa de volante, tem mais é que se transformar em sucesso. Vida longa, e sucesso a Bruno Senna, Nelsinho Piquet, Lucas di Grassi – pensar que mais de 20 anos depois teremos sobrenomes tão tradicionais como Senna, Piquet e Prost (Nicolas, filho de Alain, também está na brincadeira), é um incentivo e tanto…

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