A ESPERANÇA VENCEU O MEDO…

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Para quem não leu, aí está o texto da coluna Sexta Marcha, publicada no Correio Braziliense, sobre o desfecho do Mundial de F-1’2010…

“Algumas vezes cometemos pequenos erros de que ninguém se dá conta, e em outras, equívocos que custam caro. Mas, no fim, tudo ajuda a nos tornarmos pilotos melhores. Faz parte da nossa atividade. O mais importante é não errar excessivamente. E sobretudo não cometer a mesma falha duas vezes”.   Dixit Sebastian Vettel, não ontem, em meio às lágrimas de menino que, quando menos esperava, conseguiu a consagração suprema do automobilismo, o Santo Graal das pistas; o objetivo que se tem quando todos os outros – subir a longa escada das categorias de formação; ser um dos ungidos capazes de chegar ao Olimpo da F-1 e, uma vez lá, vencer a primeira corrida, conquistar a primeira pole, e assim por diante. A frase do piloto de Heppenheim veio talvez do momento mais delicado de sua temporada, quando muitos (eu, inclusive) o consideravam carta fora do baralho na luta pelo título. Afinal, na 16ª volta do GP da Bélgica, ele foi otimista em excesso na freada do Bus Stop, abalroou a McLaren do inocente Jenson Button e comprometeu sua corrida. Com a mesma velocidade de sua Red Bull nas pistas, os elogios ao talento e à agressividade consciente deram lugar a uma enxurrada de críticas. “Ele é rápido, mas não está maduro para ser campeão. Vettel precisa não de um empresário, mas de um psicólogo”, logo disseram.   O alemão errou e não poucas vezes, é verdade (a principal delas com uma manobra suicida na Turquia que esquentou de vez o clima em sua escuderia), mas sabe-se lá o que seria da temporada caso não tivesse enfrentado problemas de motor no Barein; ficado sem freios na Austrália e na Espanha; se o motor não o tivesse deixado na mão na Coreia do Sul. Exibições como as de ontem, ou de Suzuka; ou ainda as 10 poles são motivos suficientes para justificar o nº 1 em 2011.   O que talvez não seja possível dizer é que Vettel merece mais, ou menos, a condição de campeão do que Fernando Alonso, Lewis Hamilton ou Mark Webber. Falar a essa altura, com fatos consumados, é mais fácil, mas nenhum dos candidatos (pilotos e equipes) teve uma trajetória linear ao longo do ano. Todos mostraram virtudes e fraquezas; por vezes souberam lidar de forma inquestionável com a pressão. Por outras, pareciam meninos em seus primeiros passos no kart (quando certas reações são compreensíveis).   Fica claro, no entanto, que a temporada, propalada por muitos como a mais espetacular da categoria, viu seu script ajudado por uma série de fatores: começando pelo novo sistema de distribuição de pontos, que deveria valorizar a vitória mas, na ciranda de altos e baixos, fez com que quatro pilotos chegassem a Abu Dhabi sonhando com a coroa. Em dramaticidade, ainda sou mais 2007, quando o então novato Hamilton entregou a taça de forma impressionante a Kimi Raikkonen ou, principalmente, 2008, quando as 71 voltas do GP do Brasil viram a balança mudar de lado inúmeras vezes, até que Felipe Massa, bem depois de receber a bandeirada, viu os sonhos de glória escorrerem com a água da chuva.    Porque emoção mesmo em Yas Marina, apenas a do mais jovem campeão da história; do menino que estreou na BMW em lugar do acidentado Robert Kubica no GP dos EUA de 2007 e já na ocasião mostrou o cartão de visitas ao conquistar seus primeiros pontos. E que voltaria a impressionar um ano depois, na Itália, ao garantir a primeira e única vitória da Toro Rosso, nada mais do que uma reencarnação da Minardi. De resto, a corrida mostrou que há algo errado com a F-1 ou com quem rapidamente elevamos à condição de estrelas. Afinal, se as características dos carros e do traçado são significativas o suficiente para impedir que Alonso supere Petrov, mesmo em condição favorável (pneus bem mais novos), então é o caso de rever certos conceitos. Que havia jeito, Hamilton, Kobayashi e Kubica mostraram com maestria. Pior ainda é esperar que os adversários estendam tapete vermelho, por direito adquirido. No fim das contas, felizmente a coragem de tentar, mesmo que errando, acabou prevalecendo sobre a covardia. E eu e o mundo estamos esperando que o espanhol enfim cumpra a recomendação do engenheiro Andrea Stella e mostre seu talento. Para se fazer de vítima ele não tem nenhum…

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