Rosa e Azul

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Aproveitando os dois meses em que se estimula a prevenção do câncer feminino e masculino, é interessante discutir a associação de ambos com a capacidade reprodutiva. O câncer, antes estigmatizante e sempre relacionado ao óbito, há algum tempo perdeu essa imagem. Graças aos avanços da medicina, hoje ele é curável, o que permite aos pacientes jovens que contraem a doença seguir com seus planos, pensar em ter filhos e constituir família. Os tratamentos, entretanto, podem levar à perda dos gametas (óvulos e espermatozoides) devido ao caráter inibidor da multiplicação celular. Assim, é possível pensar em ter filhos, mas as chances ficam reduzidas. Classicamente, a alternativa para quem não tem mais gametas é utilizar a doação de espermatozoides e de óvulos. Entretanto, uma nova alternativa terapêutica, desenvolvida a partir das técnicas de reprodução assistida, aparece como uma excelente opção para os que serão submetidos ao tratamento de câncer e tem o desejo de ter mais filhos. A preservação de espermatozoides por congelamento é feita há mais de 50 anos e há 7 anos a técnica pode ser utilizada também com óvulos. Duas alternativas que preservam a capacidade reprodutiva de quem enfrentou um tratamento contra câncer. Resumidamente, após a doença ser tratada, se houver de fato necessidade de se utilizar os gametas congelados, eles são descongelados e fertilizados in vitro. Nesses casos, é feita, mais especificamente, a técnica de fertilização in vitro por injeção intracitoplasmática de espermatozoides. Os embriões formados são, então, transferidos ao útero previamente preparado. As chances de gravidez são semelhantes às obtidas quando utilizados gametas não congelados, isto é, frescos. Recentemente, publicamos um estudo de caso, realizado no ano passado, que descreve um caso de câncer de testículo associado a grande diminuição na quantidade de espermatozoides, com necessidade de retirada dos testículos. No momento da cirurgia, congelamos os poucos espermatozoides encontrados e, em seguida, realizamos estimulação ovariana da esposa, conseguindo retirar mais óvulos do que espermatozoides, o que é um paradoxo. Os embriões formados foram transferidos (outros congelados) e conseguimos uma gravidez que evoluiu normalmente até o nascimento. Esse relato mostra como a associação das duas especializações pode contribuir para o bem estar e a saúde de pacientes com câncer.

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