Quando não tratar pode ser a melhor alternativa

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A associação entre endometriose e infertilidade vem sendo discutida há décadas e ainda não foi definido se existe relação de causa e efeito direta, ou é apenas uma coincidência. Logicamente, nos casos em que há uma distorção da anatomia da pelve, essa correlação pode ser explicada, uma vez que modifica a relação entre as trompas e os ovários ou fixa os mesmos, impedindo sua função adequada (aderências).
Independente dessa dúvida, o mais importante é oferecer alternativas de tratamento para se conseguir a tão desejada gravidez. Basicamente, existem três opções:
1) Uso de medicamentos a base de hormônios, chamado de tratamento clínico. Existem diversas alternativas, sendo que a ideia, em todas, é de se impedir a menstruação e, assim, evitar o desenvolvimento da endometriose. Em geral, seu uso varia de 6 a 12 meses. É preciso enfatizar o fato de que, durante esse período, fica impossível de se obter uma gravidez, uma vez que esses medicamentos impedem a ovulação. 
2) A segunda alternativa é o tratamento cirúrgico para tentar corrigir as distorções. 
Os resultados, entretanto, são desapontadores, com taxas de gravidez muito baixas. Além disso, pode gerar riscos para a mulher. Existe a possibilidade de formação de aderências, que poderiam diminuir ainda mais as chances de gravidez. E, caso haja necessidade de operar os ovários – em função de endometriomas (cistos de endometriose nos ovários), há uma grande chance de se reduzir a quantidade de óvulos, comprometendo a reserva e outros tipos de tratamento. Menos comum, mas ainda possível, é o risco de ser preciso remover ambos os ovários, o que levaria a uma menopausa precoce e a necessidade do uso de óvulos doados para uma possível gravidez. 
3) A terceira opção é a fertilização in vitro. Esse tratamento tem como vantagem as elevadas taxas de gravidez e o curto tempo necessário para se obter resultados. Seu efeito adverso é a gravidez múltipla, em uma baixa frequência e que pode ser controlada com a diminuição no numero de embriões transferidos. Muito importante também é o fato de a endometriose não interferir nos resultados da FIV. Isto é, mulheres com endometriose têm a mesma chance de gravidez com FIV do que as demais. 
E, acaba de ser publicado um estudo na revista inglesa Human Reproduction Update, mostrando que o não tratamento da endometriose não interfere com a saúde reprodutiva feminina, nem com o desenvolvimento da gravidez. Assim, além dos tratamentos clínico e cirúrgico não melhorarem as chances de gravidez, podem reduzir as possibilidade e comprometer as chances da FIV. Mais importante, a presença da endometriose não compromete os resultados da fertilização e não interferem com o futuro reprodutivo.

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