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Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

Da amazônia, bombeiros mineiros enfrentam o fogo e relatam dificuldades

Bombeiros usam água para se refrescar do calor equatorial em meio ao fogo (Foto: CBMMG)

Árvores com mais de 20 metros e que precisariam de cinco homens para abraçar seu tronco desabam em chamas no meio da selva esmagando o que há pela frente. O fogo traiçoeiro se alastra sob uma camada de meio metro de folhas secas sobre o solo, podendo aflorar sem aviso em qualquer direção. Ventos imprevisíveis, calor equatorial e distâncias amazônicas entre incêndios longínquos. É nesse cenário de riscos elevados em meio às chamas que consomem a floresta amazônica, o chamado “inferno verde”, que 27 militares mineiros batalham contra os incêndios florestais no estado do Pará, desde o dia 5, como contribuição do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) e da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) dentro do esforço de 280 combatentes da Operação Verde Brasil, do Governo federal.

Veja o vídeo com entrevistas e imagens dos bombeiros e policiais de MG na amazônia para o meu canal do YouTube, o Missão Carcará! Se gostar, se inscreva!

Da selva que abriga a maior biodiversidade do planeta, os bombeiros mineiros me contaram (leia a reportagem completa no Estado de Minas) sobre os desafios que enfrentam para preservar um dos maiores tesouros naturais do Brasil. “É nosso dever colaborar com a preservação deste ecossistema, bem como uma forma de retribuição a todos que apoiaram a Operação Brumadinho”, disse o major Ivan Santos Pereira Neto, de 40 anos, comandante dos militares do CBMMG na região, se lembrando que o rompimento das barragens de Brumadinho mobilizou resgatistas de todo o Brasil, sendo assim, também, uma forma de retribuição do povo de Minas Gerais. “Meu último empenho foi no rompimento da barragem em Brumadinho. Lá recebemos apoio de diversas forças, que se juntaram a nossa causa e nos prestaram um excelente apoio”, lembra o oficial.

 

As chamas voltam a queimar em locais imprevisíveis, sob uma camada de folhas (Foto: CBMMG)

Do dia primeiro de setembro ao último dia 9, o bioma amazônico registrou 6,2 mil focos de incêndio, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O número de focos de queimadas de agosto foi de 30.901 pontos de fogo, o maior desde 2010. Situação que culminou com a saída do superintendente do Inpe, que foi criticado pelo presidente, e em rusgas internacionais sobretudo com o presidente francês Emmanuel Macron, que chegou a relativizar a soberania do bioma. Essa comoção internacional chamou a atenção para a necessidade de apoio no combate aos incêndios desta estiagem.

Os militares mineiros desembarcaram em Novo Progresso, no Sudoeste do Pará, onde combatem incêndios que se alastram por mais de oito quilômetros dentro da Reserva Biológica Serra do Cachimbo, uma reserva de suma importância que abriga uma grande biodiversidade e nascentes fundamentais para o Rio Amazonas, como as dos rios Xingu e Tapajós. “Nossa estratégia foi somar esforços com as equipes de outros estados que já estavam na região amazônica, com o objetivo de minimizar ou retardar o avanço das chamas”, disse o major Ivan Neto.

 

Para chegar aos locais de combate aos incêndios, os bombeiros precisaram se locomover em helicópteros do Exército (Foto: CBMMG)

O CBMMG destacou 20 militares para a missão de todas as regiões do Estado e do Batalhão de Emergências Ambientais e Desastres (BEMAD). Entre os profissionais selecionados há militares que atuaram em grandes incêndios, na Serra da Canastra, em Araxá (Alto Paranaíba), Parque Estadual Coxá e Gibão, em Januária (Norte), Parque Estadual Serra do Rola Moça, em Belo Horizonte e também nos desastres de Mariana e Brumadinho. Uma das vantagens da tropa mineira de bombeiros é a grande experiência em incêndios florestais no estado, que é um dos poucos do Brasil que abrigam vários biomas. Em Minas Gerais se encontram as florestas densas de Mata Atlântica nas regiões do Sul de Minas, Zona da Mata, Rio Doce e Jequitinhonha, o cerrado com árvores esparsas e vegetação de médio porte nas regiões do Triângulo, Alto do São Francisco, Campos das Vertentes e Noroeste, e a mata seca e tortuosa da caatinga no extremo norte. “Essa diversidade de biomas permite que nossos militares tenham expertise no combate a incêndios florestais, condição essencial para o sucesso das operações”, defende o oficial.

Baseados no Campo de Provas Brigadeiro Veloso, da Força Aérea Brasileira (FAB), os bombeiros precisam de helicópteros para serem lançados nas áreas consumidas pelo fogo. Um dos mais experientes é o tenente Leonan Soares Pereira, de 30, que é Comandante do Pelotão de Combate a Incêndios Florestais do BEMAD. “O trabalho é extremamente desgastante devido às grandes áreas atingidas, a temperatura alta, a vegetação fechada e o tipo de solo (turfa) permite ao incêndio evoluir por baixo da terra”. O militar destaca a necessidade de uma tropa que conheça os perigos envolvidos nesse tipo de combate. “Este tipo de terreno exige uma atenção especial, principalmente com a segurança nas operações, pois, qualquer mudança nas condições de tempo e vento pode colocar o Bombeiro em situação de perigo, inclusive cercando a equipe. Outra situação complexa é a queda de árvores de grande porte que estão incandescentes e tem suas raízes atingidas pelo fogo”, conta.

 

Os bombeiros combateram as chamas por mais de 15 dias (Foto: CBMMG)

Por serem lançados em plena floresta, os bombeiros de Minas Gerais contam que não chegaram a ter contato com a população local, com índios ou fazendeiros. Por outro lado, os impactos à fauna foram consideráveis, com algumas vitórias sendo comemoradas pela tropa. “As equipes são lançadas em campo de aeronave, em área afastada da civilização, portanto não temos contato com fazendeiros ou moradores da região. Diariamente são encontrados animais de diversas espécies, alguns vivos, outros não. Nossa equipe já salvou alguns jabutis, serpentes e evitou que o fogo atingisse um ninho de arara”, conta o comandante Ivan Neto.

Na mesma operação atuam até agora integrantes do Exército, Aeronáutica, corpos de bombeiros militares de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, Ibama, ICMBio, polícias Militares do Paraná e Minas Gerais, além do apoio do Governo do Chile, que disponibilizou quatro aeronaves tipo Air Tractor, que têm capacidade de armazenar 3 mil litros de água cada uma, podendo lançar o líquido sobre as chamas.

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