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Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

Explosões e devastação nos garimpos. Operação ambiental no Rio Jequitinhonha

Devastação do Rio Jequitinhonha ao longo do garimpo de Areinha, em Diamantina (Foto: Divulgação/PF)

Acompanho a devastação que segue ocorrendo no Rio Jequitinhonha causada pela mineração, sobretudo o impressionante garimpo de ouro e diamantes e de ouro chamado Areinha. nesso formigueiro humano chegam a se concentrar 2 mil trabalhadores em condições muitas vezes precárias de trabalho e sanitárias. Os órgãos ambientais, de direitos humanos e de segurança pública têm nesse local um grande embate, já que a atividade é tradicional no estado, o rio é tombado e os trabalhadores precisam dos empregos. O último capítulo desses embates ocorreram no início de maio e as imagens dos equipamentos destruídos, bem como da devastação ambiental continuam impressionantes.

Assista ao vídeo que fiz sobre a operação no vídeo abaixo, do meu canal do YouTube e se inscreva se curtir 😉

A ação contou com o uso de explosivos com os quais a PF e os órgãos ambientais destruíram dragas e tratores para impedir o retorno da atividade ilegal. De acordo com a corporação, a Operação Salve o Jequitinhonha envolveu cerca de 300 policiais, com a participação de cerca de 240 PMs e 12 servidores da Secretaria de estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

Desde 2014 frequento essa área que é monitorada  por meio de rádios pelos garimpeiros. Não apenas para a polícia ser avistada e os valores e maquinários protegidos, mas também para evitar fiscais e, claro, nós repórteres. Da primeira vez que fui até lá, descemos pela estradinha de terra a toda velocidade, passando por motociclistas que subiam em sentido contrário e sob os dedos apontados dos olheiros. Uma nuvem de poeira vermelha cobria a via vicinal no nosso rastro. Tudo, na tentativa de chegar antes que tudo fosse desmobilizado ou uma reação a nossa presença fosse organizada.

Deu certo e chegando lá já conseguimos acesso a algumas lideranças, antes que a turma mais truculenta conseguisse se organizar e nos afastar. Ainda assim a convers00a foi tensa. Os garimpeiros estavam muito desconfiados e arredios. principalmente porque viram que eu coletava amostras da água para levar para laboratório e também para mostrar a diferença de turbidez (intensidade de transparência devido à concentração de partículas) da água.

Depois de muita conversa, alguns concordaram em conversar e a dar entrevistas, mesmo que muito agressivas. Mas o importante foi ter conseguido retratar aquela realidade. Nos contaram sobre vários perigos e até sobre companheiros que morreram dragados por uma espécie de areia movediça que se forma perto das bombas usadas para dragar a areia e procurar pelas riquezas do fundo do rio.

A segunda vez foi completamente diferente. De alguma forma a devastação ambiental encontrou uma doença que há muitos anos estava desaparecida de Minas Gerais: a malária. Seis garimpeiros foram infectados pela doença e como resultado disso os mais de 2 mil trabalhadores abandonaram suas frentes de trabalho deixando o Areinha deserto.

Essa operação das forças de fiscalização ambiental não deixa de ser mais um capítulo nessa tentativa de organizar a atividade naquele local, algo que ainda vejo longe de ser atingido, mas que traria mais dignidade aos trabalhadores e um respiro ao meio ambiente e ao Rio Jequitinhonha.

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