Skip to main content
 -
Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

O pernoite na data marcada para o rompimento da barragem de Barão de Cocais

Equipe em Barão de Cocais. Repórter-fotográfico Alexandre Guzanshe (e), este repórter (c) e o motorista Gilmar Santarelli (d) (Foto: Mateus Parreiras)

Como é passar o dia num lugar que pode ser invadido a qualquer momento por uma massa de rejeitos de minério de ferro de 6 milhões de metros cúbicos/ Essa foi uma experiência que o repórter-fotográfico Alexandre Guzanshe, o motorista Gilmar Santarelli e eu vivemos no dia 25 de maio e na semana seguinte. Conto a seguir sobre as medidas que tomamos.

Veja o vídeo com a minha ida à área de inundação e se inscreva lá no meu canal do YouTube! 😉

O acesso a um estudo da mineradora Vale fez com que o Ministério Público divulgasse uma expectativa de que um talude de 10 milhões de metros cúbicos da Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, cairia até o dia 25 de maio. Com isso, o risco seria grande de que a Barragem Sul Superior, que fica a 1,5 quilômetro, se rompesse devido à onda de choque gerada.
Como disse em outro texto, fui selecionado como repórter para ir ao local e mostrar essa expectativa. Por toda cidade, onde a onda chegaria em pouco mais de 1 hora, os passeios sujeitos a inundação foram pintados de laranja.

As pessoas estavam muito apreensivas. Não queriam sair de casa. À noite, as ruas estavam ainda mais vazias. Cerca de 10 mil pessoas estavam sujeitas a evacuações ou poderiam ser atingidas em Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo.

Após conversar com as autoridades de defesa civil e bombeiros, descobrimos que não havia mais hotéis fora da zona inundável para nos hospedar. Somente em Santa Bárbara, uma cidade a 16 quilômetros. Caso algo ocorresse, levaríamos muito tempo para chegar e reportar os estragos e esforços das pessoas para escapar.

Resolvemos de comum acordo nos hospedar dentro da região que seria diretamente impactada, mesmo sabendo dos risco. O Hotel escolhido, no entanto, teria de ter algumas particularidades que nos permitisse o mínimo de segurança e capacidade de mostrar a situação em caso de rompimento. Ficamos num que tinha quartos mais altos, no terceiro andar da edificação, uma altura generosa que provavelmente nos deixaria fora do alcance dos rejeitos. Ao mesmo tempo, dispunha de janelas para todas as direções e de mais de uma saída.

Uma das placas de alerta contra o rompimento em Barão de Cocais (Foto: Mateus Parreiras)

A noite foi longa. Levamos nossos equipamentos para um restaurante, de onde transmitimos as fotografias e eu escrevi o texto. Todos no estabelecimento comentavam sobre a possibilidade de rompimento, sendo que algumas pessoas tinham até deixado suas casas em comunidades ameaçadas.

Dispunha também de roupas adequadas, botas, cantis, purificador de água, lanterna, facão, kit de sobrevivência e kit médico de primeiros-socorros para qualquer eventualidade.

Ao final, todos acabaram esquecendo do perigo e a noite transcorreu sem maiores problemas, apesar da tensão. Aproveitei inclusive para fazer uma transmissão ao vivo e conversar com os inscritos do meu canal do YouTube, ao vivo, respondendo várias perguntas. Assista ao vídeo aqui:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *