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Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

Como cheguei na área de evacuação de Gongo Soco, em Barão de Cocais

Carro da reportagem precisou ser rebocado para fora de um atoleiro do outro lado do rio (Foto: Mateus Parreiras)

Um dos pequenos vilarejos de Barão de Cocais que foram evacuados devido ao risco iminente que a Barragem Sul Superior, da Mina de Gongo Soco, da Mineradora Vale, se rompesse foi a Vila de Gongo Soco. Chegar até lá seria praticamente impossível, uma vez que todas as principais vias tinham sido bloqueadas. Mas a possibilidade de que um morador ainda residisse naquele local condenado, fez com que tentasse essa aproximação, ainda que cuidadosa.

Assista ao vídeo com a trajetória até a vila e a entrevista com seu remanescente que resistiu mesmo sob o perigo de rompimento.

Foi necessário dois dias para chegar até lá. No primeiro dia, buscamos uma estradinha pequena que se conectaria com a principal depois de um dos bloqueios. Chegando lá, o senhor Tião, um fazendeiro nos disse que seria possível passar, desde que atravessássemos o curso do Rio São João.

Por esse caminho seguimos. O rio tinha o leito bem encascalhado, mas suas margens eram de lama profunda, sendo difícil ultrapassá-las num carro baixo como o que tínhamos para a reportagem. Nosso valente motorista, Gilmar Santarelle, até tentou, acelerou pelo leito, mas ao chegar na margem do outro lado… atolou. Tentou mais umas três vezes, dando ré para dentro do rio e retornando, tentando vencer o barranco, mas não conseguiu.

Abrindo caminho para a passagem do carro da reportagem (Foto: Alexandre Guzanshe)

Nesse momento, restou a mim correr por 2 quilômetros na estrada, voltando para as primeiras habitações por onde passamos. Lá, um bondoso lavrador concordou em pegar a sua caminhonete e nos rebocar para fora do atoleiro em que nos metemos. Ficamos desapontados, mas o repórter fotográfico Alexandre Guzamshe e eu fechamos um pacto de fazer o caminho a pé.

Placa da Vila de Gongo Soco, evacuada pelo perigo de rompimento (Foto: Mateus Parreiras)

Retornamos no outro dia. Em vez de atravessar o rio de carro, nós dois atravessamos um pinguela – pequena ponte por onde se passa uma pessoa por vês. O dia estava frio. Eram por volta de 6h30 e uma densa névoa reduzia a visibilidade a meros 10 metros. Por um lado, algo bom para que não fôssemos avistados e tivéssemos algum problema com alguém da Defesa Civil,

Fomos cuidadosos e estávamos atentos para qualquer sirene que soasse avisando de um rompimento, sempre tendo em mente as áreas de perigo e os caminhos para uma rota de fuga.

Passamos por fazendas abandonadas, pequenos povoados e aglomerados de casebres fantasmas. A mata ainda preservada se adensava, mas o tamanho do vale em que estávamos, por vezes, trazia medo, pois havia momentos em que imaginava uma onda de milhões de metros cúbicos de rejeitos descendo por todos os lados e nos cercando completamente de uma via de fuga.

Várias estruturas abandonadas evidenciavam a pressa em deixar as casas, como as hortas, ainda viçosas, mas já sendo tomadas pelo mato e o grande número de pés de frutas carregados de frutos maduros, mas já com o solo sobre suas raízes cobertos pelos que caíram e iam apodrecer.

Neblina cerrada na estrada para Gongo Soco (Foto: Mateus Parreiras)

Foi então que chegamos à vila de Gongo Soco. Um aglomerado de casas e fazendas esvaziadas. Mas, que lá no alto, acima até do cruzeiro do vilarejo, abrigava um casal de moradores que resistia em deixar sua habitação para viver num hotel financiado pela Vale no centro de barão de Cocais ou em cidade próxima. Assista ao vídeo no início deste texto para ver a entrevista com o último morador de Gongo Soco.

 

 

   

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