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Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

Conheça os cemitérios verdes de Mariana e da China. A natureza reclama seu espaço

Houtouwan, na China, e Bento Rodrigues, em Mariana: a natureza retoma espaços abandonados ou destruídos

Passados três anos uma floresta com árvores pioneiras – espécies que colonizam áreas livres próximas às matas – e muito capim tem tomado contra da pequena Bento Rodrigues, a vila que foi destruída após o rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana. Esse fenômeno que mostra o meio ambiente reclamando de volta as áreas que nós homens colonizamos me chamou a atenção da última vez que estive nesse povoado desprovido de população. Todas as 250 famílias hoje vivem em Mariana, a 50 quilômetros dali, arrancadas de suas casas pela avalanche de rejeitos despejada com o rompimento da barragem. Tais recordações voltaram quando conheci pela internet, e por acaso, a vila chinesa de Houtouwan.

Veja o vídeo que fiz em Bento Rodrigues para o meu canal do YouTube, o Missão Carcará, e se inscreva se curtir!

Houtouwan é uma vila de pescadores que perdeu seus 2 mil habitantes quando a pesca e a necessidade de deslocamentos longos para acessar a serviços médicos, financeiros entre outros, obrigou seus habitantes a partir para o continente. O que se sucedeu foi um alastramento de plantas, sobretudo trepadeiras, encobrindo praticamente todas as edificações, dando um contorno verde, quase ecológico às casas, praças, prédios, pontes e outras construções.

Faz-nos pensar que o tempo que vivemos na natureza apenas tomamos emprestado um território, lutando para que a natureza não o retome, mas sabendo que, no final, por opção à custa de uma tragédia, tudo será devolvido.

30 Vegetação volta a tomar o espaço ocupado por Bento Rodrigues depois do rompimento da Barragem do Fundão (Foto: Mateus Parreiras)

Como um dos repórteres que mais esteve envolvido na cobertura do desastre do rompimento, coube a mim as últimas três reportagens especiais do Jornal Estado de Minas nos momentos em que essa tragédia completou 1 ano, 2 anos e agora, 3 anos. Pude nitidamente notar essa reintegração natural, algo que se dá diferente de Houtouwan. Na cidade chinesa, os imoveis foram abandonados vazios. Em Mariana, os rejeitos de minério de ferro petrificaram um momento da vida daquela comunidade. São imagens de violência, de medo e desespero que a vegetação encobre e não de beleza.

Veja a playlist sobre o desastre no meu canal do YouTube, o Missão Carcará, e se inscreva se curtir!

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