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Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

No rastro dos invasores de unidades de conservação

O repórter fotográfico Edésio Ferreira (e) e eu (d) percorrendo os campos rupestres na pista dos invasores (Foto: Mateus Parreiras)

Uma das aventuras que mais me enche de prazer é aquela que a gente consegue mostrar que algum crime ambiental ou alguma ameaça ao meio ambiente está acontecendo em lugares de difícil acesso que o poder público muitas vezes não consegue impedir. Um dos mais recentes casos foi o dos invasores de terras de parques, por exemplo, o Parque Nacional da Serra do Cipó, que fica a 100 quilômetros de Belo Horizonte. Uma área com grande concentração de vida animal e vegetal endêmicas.

Pois bem, no nosso levantamento por satélites, foi possível mostrar que áreas de propriedades próximas ao parque estavam utilizando os espaços naturais públicos para passar suas boiadas e usar de pastagem, para fazer extração de flores e de animais, o que é crime.

Só que para chegar até lá, onde, mais uma vez, não existe trilha certa, fomos obrigados a traçar um planejamento mais uma vez utilizando o relevo e também a vegetação, por meio das imagens de satélite. Com isso, a navegação ficou muito mais simples e com o auxílio do GPS de campo a gente pode traçar uma rota mais direta e mais eficiente até o local onde os invasores estavam ultrapassando os cercamentos.

Assista ao vídeo abaixo com essa incursão que fiz para o meu canal do YouTube, o Missão Carcará, e se inscreva para receber aventuras novas sempre que eu postar!

Os piores trechos foram justamente passando por áreas selvagens onde se encontra voçorocas  – buracos abertos pela erosão – tampadas por mato e também passagens por áreas onde não há trilhas e, por isso, são às vezes caminhos de água sobre o solo repletos de mosquitos e também de animais peçonhentos. Por isso é sempre bom utilizar equipamentos de segurança como, por exemplo, as peneiras e botas de cano comprido.

 

Cerca destruída para que invasores possam passar seu gado e acessar o parque (Foto: Mateus Parreiras)

Aliás, ultrapassar cercamentos é apenas força de expressão, porque, na verdade, quando chegamos a um lugar lá no alto da montanha, de onde se vê a grande extensão do parque nacional, foi possível também identificar que a cerca que protegia o local tinha sido simplesmente derrubada e atirada ao chão para permitir a passagem dos animais de criação para pastar. A partir daquele local, a porteira aberta se tornou um convite às invasões.

As trilhas da Serra do Cipó também são invadidas por piratas que furtam espécies protegidas de fauna e flora (Fotos: Mateus Parreiras)A questão fundiária no Brasil é tão complexa que inclusive nos registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR), as áreas que estão sendo invadidas em unidades de conservação, terras indígenas, quilombolas e sítios arqueológicos também pelo registro da área virtual é feito por meio do CAR, que ainda precisa ser muito aprimorado, necessita de uma vontade real de que essas áreas tenham a preservação de que necessitamos para que se tornem lugares referência para o conhecimento e a valorização da natureza aqui no nosso país.

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