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Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

Abrindo trilhas para chegar na barragem que ameaça a Grande BH

Facão no mato para abrir as picadas e chegar até a barragem ameaçadora (Foto: Mateus Parreiras)

Muitas das incursões que faço pelo jornal Estado de Minas e que originam reportagens, sobretudo as denúncias ambientais, exigem a entrada no meio selvagem, muitas vezes em lugares onde não há trilhas ou essas passagens não são utilizadas, configuram caminhos de gado ou rastros de enxurradas.

Muitas dessas aventuras são com o facão na cintura para abrir picadas e encontrar lugares muito ermos, mas ainda assim bonitos ou impressionantes. Exemplo disso foi a expedição para flagrar as atividades na Mineração Fernandinho, que foi embargada pelo Ministério Público por ter barragens de rejeitos com chances iminentes de rompimento, no município de Rio Acima, na Grande Belo Horizonte.

Assista abaixo ao vídeo dessa incursão no meu canal do YouTube, o Missão Carcará, e se inscreva lá gratuitamente para receber os vídeos novos sempre que eu postar!

É simplesmente impossível chegar a Fernandinho por dentro das estradas rurais que levam até lá. Isso, porque as estradas que saem da BR-040 são totalmente controlados pelas mineradoras, que não permitem de forma alguma o trânsito de quem vai fazer esse tipo de denúncia – claro que, sob a desculpa de que é preciso preparação do carro para circular nas áreas de mineração e outras dificuldades “operacionais”. Mas a gente sabe que não há qualquer boa vontade de que denúncias como essas sejam incentivadas. A maioria das imprensa não faz esse tipo de denúncia justamente por não dispor de meios para chegar até esses locais.

Para chegar até a barragem, o repórter-fotográfico Gladyston Rodrigues e eu fizemos o caminho oposto, por dentro de matas fechadas de propriedades rurais que estavam. Meu parceiro estava ainda ressabiado por ter ferido o joelho menos de dois meses antes, numa exploração que fizemos pela Expedição Montanhas de Histórias, que eu faço pelo Estado de Minas (confira aqui no link para as aventuras que contam a história de Minas a partir das perspectivas das montanhas).

Vibração pela chegada depois de uma trilha pesada com o parceiro, o repórter-fotográfico Gladyston Rodrigues (Foto: Mateus Parreiras)

Com o GPS de campo em punho e feito o mapeamento para contornar essas barreiras, nossa rota foi feita pela MG-030, que naquele trecho vai de Nova Lima a Itabirito. No meio do caminho, entramos para as fazendas e rodamos cerca de 6 quilômetros em estradas de terra péssimas até um ponto onde havia uma montanha e uma sequência de serras que levariam até um ponto onde poderíamos observar a mineração de Fernandinho.

Atacar essa montanha não é como se entrar numa trilha demarcada. Na verdade, não existia uma trilha. O que fiz, foi por meio do mapeamento de satélites e unindo os caminhos visualmente mais viáveis pela vegetação menos densa e caminhos formados pelas enxurradas – a água sempre procura o caminho mais fácil e, por isso, muitas vezes nos mostra bons caminhos ou despenca em abismos… Foi mapeando esses caminhos que a gente chegou num barranco mais baixo da estrada e por nos aventuramos por um caminho de aproximadamente 3 km, com trechos íngremes de pedras soltas boas para nos passar tombos, atravessando algumas das antigas cercas de arame farpado enferrujado e muitos rolos desse material abandonados completamente enferrujados no mato alto – um grande perigo. A região é infestada por mosquitos que nos atazanaram vida, impedindo a nossa concentração enquanto a gente tentava fotografar e filmar à distância as cenas de florestas e cursos d’água ameaçados pelos barramentos instáveis.

Barragem de Fernandinho foi embargada pelo Ministério Público, acesso por mineradoras é vedado (Foto: Mateus Parreiras)

No cume dessa sequência de serras, enfim, as barragens que estavam escondidas pela barreira corporativista de mineradoras. E da nossa posição dava para ver o intenso trabalho, uma tentativa desesperada da controladora das barragens, a mineradora CSN, de conseguir estabilizar as estruturas condenadas. O plano é descomissionar essas barragens, porque elas não são recuperáveis. A maior ameaça caso essas construções se rompam é de que o Rio das Velhas seja atingido – simplesmente o manancial mais importante para o abastecimento da Grande Belo Horizonte e o segundo mais importante afluente do Rio São Francisco.

Mais uma grande aventura que, ainda que não seja num cartão postal, é um desafio ao clássico do montanhismo e muito importante não apenas para trazer informações sobre os perigos que estão fora do alcance dos olhos da maioria das pessoas como também desenvolver e treinar um pouco as técnicas de sobrevivência, de progressão e de desbravamento em ambiente selvagem.

2 comentários em “Abrindo trilhas para chegar na barragem que ameaça a Grande BH

  1. Em país civilizado, os resíduos das mineradoras são sólidos.
    Basta retirar a água com pouco custo acrescentado, para se evitar esse risco absurdo.

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