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Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

As armadilhas das terras devastadas pela lama da Samarco

Passados dois anos da tragédia que inundou de lama pequenos distritos de Mariana, Barra Longa, devastou o Rio Doce e parte da costa do Sudeste, percorrer as terras atingidas pelos rejeitos é ainda uma missão perigosa. O mato que cresce descontrolado ou a água que aparenta estar limpa apenas escondem rejeitos, detritos e destroços perigosos.

Confira no meu canal do YouTube, o Missão Carcará (clique aqui e se inscreva se curtir!), um pouco mais sobre a minha última expedição pelo Rio Doce:

É forte a emoção que me traz voltar a esses locais onde passei quase dois meses produzindo reportagens, retornando para casa muitas vezes somente aos fins de semana. mas essa emoção não pode bloquear meus sentidos e desviar a minha atenção, pois aquele é ainda um local de extremo perigo.

Exemplo disso é Bento Rodrigues. O subdistrito foi completamente soterrado pelo tsunami de lama e rejeitos de minério de ferro no dia 5 de novembro, quando a Barragem do Fundão, operada pela Samarco, se rompeu em Mariana. Hoje, a localidade parece uma cidade fantasma entre dois diques de contenção de água e rejeitos. Nas ruas, porém, partes de ferragens arrancadas pela força da avalanche, cacos de vidro estilhaçados pela onda de minério e lascas pontiagudas de madeira podem perfurar os pés e as mãos das pessoas.

Dentro das residências, comércios e edificações públicas arruinadas, partes de telhado podem desabar, bem como eletrodomésticos e móveis que ficaram dependurados ameaçam se desprender dos tetos, atingindo gravemente uma pessoa

Imagem da devastação em Bento Rodrigues dois anos depois. Uma cidade fantasma (Foto: Mateus Parreiras)

Nos rios Gualaxo do Norte e do Carmo, afluentes do Rio Doce mais castigados, as margens cobertas de rejeito escondem parte desses destroços, como também podem prender uma pessoa atolada que desavisadamente tente se aproximar desses locais. Eu mesmo precisei me esforçar bastante quando, na ânsia de chegar mais perto do rio, atolei até os joelhos na lama que parecia sólida.

Aquele é um terreno tão insólito e uma aberração tão grande, que mesmo acostumado a brejos e outros terrenos movediços, não consegui prever que poderia me afundar sobre tal ponto da margem. Coisas que vamos aprendendo e que nos tornam mais experientes – e que não são motivo para desatenção, é claro!

Os rejeitos ainda contidos pelas margens do Rio Gualaxo do norte, o primeiro afluente do Doce atingido (Foto: Gladyston Rodrigues)

Até mesmo o Rio Doce, que parece ter se livrado dos rejeitos ainda conserva grandes aglomerações desses finos detritos no fundo de suas maiores profundidades. Armadilhas que pescadores consideram mortais caso alguém caia dos barcos ou mesmo para os garimpeiros do outro que costumam mergulhar e revolver o fundo do manancial com suas mangueiras de dragas atrás de ouro.

Também naquele leito que aparenta inocência, repousam destroços de embarcações e de dragas com latarias enferrujadas e cortantes ou pedaços de madeiras agudas como lanças.

Navegando com o repórter-fotográfico Ramon Lisboa pelo Rio Doce em Tumiritinga onde encontramos destroços de dragas e o fundo do rio coberto de rejeito (Foto: Mateus Parreiras)

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