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Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

Botas Táticas X Coturnos Militares? Entrevista com Giuliano Toniolo

Lama, pedras, decliver, escaladas; obstáculos não faltam e cada calçado responde de um jeito (Foto: Divulgação)

Uma questão que divide opiniões de aventureiros de várias modalidades é sobre qual o melhor calçado: coturnos militares ou botas táticas? Certo de que as respostas vão variar sensivelmente dependendo da atividade desempenhada, gostei muito das considerações que o instrutor de sobrevivência Giuliano Toniolo teceu sobre o assunto, do ponto vista mateiro, e apoio totalmente. Segue o texto abaixo, com os links para os canais dele e um vídeo que também fiz sobre o assunto:

Escola de sobrevivência e bushcraft do Giuliano Toniolo: www.mestredomato.com.br

Canal do Giuliano Toniolo no YouTube: https://www.youtube.com/user/giutoniolo

Veja o vídeo onde falo sobre botas, coturnos e recauchutados no meu canal do YouTube, o Missão Carcará (clique aqui para conhecer). Se curtir, se inscreva lá!

Por Giuliano Toniolo

Durante muitos anos usei coturnos militares no mato (eram praticamente a única opção viável na época) e acompanhei a mudança do velho, pesado e desconfortável “queixo duro” da Alpargatas para os novos modelos, bem mais leves e confortáveis e dos quais, ao longo dos anos, me tornei um fã.
Porém, há algum tempo, comecei a usar os modelos táticos mais caros, bonitos e que possuem mais “testosterona” em seu design e estética. O que lhes confere um apelo muito grande. Os preços também são bem maiores e variam de R$ 400 a quase R$ 1 mil, dependendo do modelo e da marca.

Bom, eu sempre fui um destruidor de calçados, desde jovem. Meus tênis sempre acabavam mais rapidamente que de meus irmãos e as atividades que faço no mato, ao longo de minha vida, ajudaram bastante a destruir muitos calçados.

Então, preciso de botas que sejam fortes e resistentes, mas leves o bastante para poder usá-las ao longo do dia todo (e às vezes à noite), constantemente, durante o ano todo e em terrenos que podem ser rochosos, alagados, arenosos, de florestas úmidas ao cerrado seco!
Minha decepção foi grande ao perceber que nenhuma das botas táticas que eu tive aguentava o tranco da mesma forma que os coturnos que estava acostumado a usar. A que durou mais, resistiu por um ano e meio e na primeira vez que a lavei, ela descolou e abriu as duas solas. Seu valor está em torno de uns 500 reais. Além disso, uma vez encharcadas, levam dias para secar.

Também tive dois pares de uma outra marca, na mesma faixa de preço e em menos de um ano todas rasgaram e tiveram ruptura da estrutura interna de seus calcanhares, inutilizando seu uso. Vi isso acontecer com botas da mesma marca, de outras pessoas.

Quais são mkelhores para as atividades outdoor? Coturnos ou botas táticas? (Foto: Divulgação)

Isso me fez avaliar o custo benefício das botas brasileiras, normalmente apontadas como boas para o uso pesado.
Hoje, penso que elas são apenas para ações “táticas” urbanas, em cenários de relevo menos acidentado. Creio que no asfalto, elas têm uma performance melhor que nos perrengues do mato, onde elas, sem dúvidas, deixam a desejar, pelo menos se considerarmos a frequência de seu uso e aquilo que é exigido delas nestes ambientes.

Além disso, pelo preço de uma bota tática é possível adquirir três coturnos extra-leves, que vão resistir ao menos 3 anos de pancadarias constantes, mas sem o apelo “desert warrior” no estilo SEALs. Soma-se, a isso, o fato de que os coturnos são mais leves e secam muito mais rapidamente que as botas táticas que usei.

Uma única desvantagem dos coturnos, em geral, são suas palmilhas baixas e desconfortáveis, que fazem doer os pés em longas caminhadas, porém, com o tempo e a experiência, acabei aprendendo como resolver este ponto negativo dos coturnos. Sempre compro um número maior que o meu e coloco dentro uma palmilha ortopédica ou de um bom tênis de corrida e, assim, eu elimino o problema do desconforto.

Enfim, após alguns anos tentando achar um substituto para meus velhos “boots”, abandono as tendências da “moda-sou-foda-pra-cacete” e volto para os coturnos de couro e lona, simples, leves e tradicionais, que, em geral, prefiro nas cores marrom e verde!

Imagino que haja outras marcas de botas táticas (talvez, melhores que as que testei), mas estou certo de que seu custo é proporcionalmente ainda mais elevado, o que me desanima muito para adquiri-las, fazendo com que eu as deixe de lado e prefira aquilo que o tempo e a experiência em campo já me ensinaram.

 

Escola de sobrevivência e bushcraft do Giuliano Toniolo: www.mestredomato.com.br

Canal do Giuliano Toniolo no YouTube: https://www.youtube.com/user/giutoniolo

7 comentários em “Botas Táticas X Coturnos Militares? Entrevista com Giuliano Toniolo

  1. Pode comprar o coturno e adaptar a palmilha. Hoje é possível encontrar palmilhas nas lojas especializadas de airsoft. A velha e boa bota de ”peão” de fábrica dá tranquilamente conta do recado.Fora que normalmente são produtos ”made in brazil” onde os preços são mais em conta. Essas modinhas de botas estilo ”navy seals” não me iludem mais. Normalmente sã produtos que descolam e acabam muito rápido. Mesmo os mais caros. Fora que na realidade é meio que frescura,modinha. Conhece a história dos tênis Adidas falsificados que foram e ainda são de preferência da força especial mais ”fodona” da antiga URSS e hoje Rússia? Pois dê uma lida: https://www.highsnobiety.com/2017/06/14/mockba-russian-adidas-sneakers/.Um abraço.

  2. Também tenho certa experiência com coturnos (principalmente da marca Atalaia) e, mais recentemente, as tais “botas táticas”.

    Os coturnos são realmente mais duráveis mas, por outro lado, são mais desconfortáveis e inapropriados para usar no dia a dia, com calça jeans. As “botas táticas” são mais discretas.

    A dica que dou, aprendida a duras penas, é procurar características de coturno nas “botas táticas”. Tenho utilizado modelos com costura em todo o solado, e tenho tido boa durabilidade. A vulcanização, por si só, não basta: as solas descolam mesmo.

  3. Bom clicando no link não está saindo o que eu queria mostrar…leia sobre ”Spetsnaz Adidas Mockba”. Esses ”adidas” falsificados são um verdadeiro culto no meio de airsoft na Europa. Os soviéticos combateram no Afeganistão usando esse ”fake sneakers”. Sem frescura…Spetsnaz, os fodões ao lado da SAS britânica.

  4. Sempre uso botas militares nas minhas aventuras motociclistas, elas são muito mais resistentes e seguras que os modelos próprios pra moto. Tenho vários pares que trouxe dos EUA e o meu par favorito, pelo conforto e durabilidade, é uma Danner que paguei 310 US$ (lá nos EUA) que são as usadas pelos Mariners americanos. Essa eu recomendo, é pau pra qualquer obra.

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