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Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

Banido de um grupo de sobrevivência por postar expedição!

Outro dia aconteceu um fato que me deixou um pouco encabulado. Sempre que faço uma aventura ou expedição posto os vídeos e textos, sobretudo do meu canal do YouTube, o Missão Carcará. Muito desse conteúdo vai para alguns grupos de redes sociais de que faço parte e nos quais tenho muitos parceiros e amigos. Outro dia, para o meu espanto, acabei sendo banido de um grupo de “praticantes de sobrevivência” do Facebook por conta de um vídeo em que me embrenho na selva e nas matas ciliares de rios para rastrear e mostrar a ação criminosa de madeireiros. Uma atividade que por si só demanda não apenas conhecimentos básicos de sobrevivência, mas técnicas complexas e experiência nessa área.

Assista ao vídeo no meu canal do YouTube, o Missão Carcará, clicando aqui. Se inscreva para receber vídeos novos sempre!

Do sujeito de lá que me baniu nunca tinha ouvido falar. Um rapaz de Taubaté (SP) que tem no perfil dele umas cenas de vídeo games. Certamente um especialista virtual em sobrevivência… Veja só, essa pessoa foi capaz de banir sumariamente os conhecimentos disponibilizados de forma gratuita de uma expedição por entender que não teriam QUALQUER RELAÇÃO com sobrevivência… Precisa dizer mais algo? Ele simplesmente privou o grupo de conhecimentos e experiências que poderiam agregar a todos que gostam do tema sobrevivência. Não quero e não vou mais entrar nesse grupo, mas me deixa extremamente decepcionado ver que uma pessoa com esse nível de conhecimento é o administrador. Fico imaginando que tipo de desinformação não se passa no referido agrupamento!

Há tempos que o assunto sobrevivência – ou técnicas de sobrevivência – inunda programas de TV e redes sociais dos mais diversificados perfis. Acho isso muito bom, mas como sempre ocorrem interpretações errôneas e extremismos que desvirtuam a coisa e tentam separar as pessoas em castas. Para se entender: sobrevivência são as técnicas e conhecimentos que permitem a uma pessoa subsistir por determinado tempo num ambiente hostil ou privado de recursos acabados. Ou seja, se você está perdido num lugar selvagem, essas técnicas te permitiram adaptar esse lugar a uma condição mínima de vida até que algum resgate ocorra ou você mesmo saia dessa situação.

Um dos cursos que fiz com o instrutor de sobrevivência Giuliano Toniolo (Foto: Mateus Parreiras)

Daí começam algumas questões. Por exemplo, praticar sobrevivência é possível? Sim, claro! Se você não praticar as técnicas, pegar a lenha para fazer uma fogueira, preparar um abrigo, colocar seus conhecimentos de navegação a prova, no momento de necessidade a possibilidade de não conseguir será grande. Contudo, não é uma arte por si só. Quando você vai para o mato e diz que está praticando sobrevivência, muito possivelmente estará realizando atividades que englobam a sobrevivência, como bushcraft, artes mateiras, camping, montanhismo, trekking etc.

Isso, porque a sobrevivência é um setor. É um compartimento comum a atividades ao ar livre que existe como forma de segurança básica para o desempenho dessas ações. Sobrevivência basicamente responde a questões essenciais para manter alguém vivo, salvar a sua vida e que são: como manter a sua temperatura corpórea, como se manter hidratado, como se manter nutrido, como se proteger de animais, como navegar e como sinalizar. Como você pode perceber é uma gama limitada de necessidades. Mas que, numa situação real, exige adaptação e conhecimento vasto para utilizar os recursos de vários cenários diferentes para suprir essas necessidades.

Alunos do curso de sobrevivência da Escola Mestre do Mato, de Giuliano Toniolo (Foto: Mateus Parreiras)

Por isso acho importante ter alguns conceitos em mente. Saber como organizar uma mochila para a caminhada é sobrevivência? Não! Saber qual o tipo de aço de uma faca, sua denominação, as técnicas de forja e revenimento é sobrevivência ? Não, mas usar uma faca é, com certeza. Saber fazer um tripé para dependurar coisas é sobrevivência? Não! Apesar de inegavelmente útil numa situação de campo ou estacionamento selvagem, não é essencial à sobrevivência. Pode ser, sim, extremamente útil, pois o desenvolvimento dessa habilidade pode permitir a construção de um abrigo, o que torna esse mais um conhecimento que pode ser utilizado para sobreviver. Pode se tornar um aparato para secagem de carne de caça e isso, sim, muito útil no longo termo. A coisa é mutável e adaptável. Quanto mais se sabe, mais é possível adaptar o ambiente para se proteger e viver mais um pouco.

Assista à essa playlist de cursos de sobrevivência no meu canal do YouTube, o Missão Carcará, clicando aqui. Se inscreva para receber vídeos novos sempre!

Fazer entalhes é sobrevivência? Pode ser usado, sim, para a construção de um abrigo, por exemplo, ou que seja agregado para permitir que você sobreviva por mais tempo num local, fazendo uma vara de pesca de espera, por exemplo, ou uma armadilha. Mas isso é mais um conhecimento agregado ao arcabouço de habilidades de uma pessoa. Para sobreviver, pode-se usar de praticamente qualquer expediente. Se você encontrar gasolina no caminho vai deixar de usar para fazer fogo por atrito com “pauzinhos”? Claro que não!

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