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Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

Como estão os locais onde o Brasil lutou na Segunda Guerra? Expedição em homenagem ao Dia da Vitória

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Saudações, aqui é o Rotas do Explorador!

Hoje, dia 8 de maio é comemorado o Dia da Vitória, quando o exército nazista se rendeu às tropas aliadas e terminou o fronte ocidental da Segunda Guerra Mundial. Nesse dia, também, acabou para o Brasil e sua gloriosa Força Expedicionária Brasileira (FEB) a sua participação no maior conflito armado da história. E é para homenagear os nossos bravos combatentes que lutaram e 1944 e 1945 na Itália que fiz uma expedição e gostaria de contar um pouco sobre como foi para chegar nos lugares onde os brasileiros lutaram, onde foi preciso seguir trilhas, terreno difícil e tomar cuidados e precauções.

Essa aventura em honra aos nossos bravos combatentes que deram seu sangue e sua vida pela nossa bandeira ocorreu em 2010. Naquele tempo estava vindo de florença e rumei diretamente a Montese, a primeira grande cidade tomada com luta na região e a Porreta Terme, que era a base avançada do Brasil nas montanhas da Toscana.

Só que o meu primeiro erro foi ter ido no inverno, quando as montanhas ficam cobertas por gelo e neve. Até tinha pago por uma corrente para usar nos pneus, mas é proibido fazer isso se não houver uma camada de neve sobre a estrada. E a estrada pelas montanhas italianas tinha sido limpa, mas ainda retinha uma camada de gelo e o asfalto estava congelado. Meu carro, que tinha pneu comum e não um próprio para neve, que é chamado lá de gomma termica, jamais alcançaria meu objetivo.

 

Estrada para o Monte Castelo. Mário Pereira (E) e eu no local da maior batalha que a FEB enfrentou na guerra (Foto: Paola Carvalho)

 

Foi uma curta incursão, com o carro deslizando muito e derrapando para fora da pista nas curvas. Muita gente que tem experiência com barro acha que estradas com lama são similares às cobertas de gelo. Mas são contextos totalmente diferentes. Numa comparação a grosso modo, a lama te segura mais, a neve e o gelo te expulsam e você vai deslizando para fora da pista ou fica atravessado nela.

Resolvi então retornar a Florença e tentar atacar por outro lado. Eu iria para uma das maiores cidades daquela região, que se chama Pistóia, para tentar chegar por trás das montanhas onde o Brasil lutou.

Cemitério dos combatentes brasileiros em Pistoia e monumento ao soldado desconhecido (Foto/Mateus Parreiras)

Quando cheguei em Pistoia tive a ideia de procurar uma agência de turismo e encontramos um receptivo turístico do governo local, onde perguntei se era comum a chegada de brasileiros. A atendente então me disse que tinha o cemitério dos soldados brasileiros em Pistóia, um monumento memorial e um guardião que era brasileiro, filho de um pracinha.

Entrei então em contato por telefone com o Mário Pereira, filho do sargento Pereira, que fora combatente da Segunda Guerra. Muito gentilmente, ele aceitou conversar comigo e até me mostrar alguns lugares da região como Montese, Monte Castelo e vilarejos que foram lugares chave da luta do Brasil na Itália.

Enquanto a gente conversava e ele mostrava o cemitério, um ladrão quebrou o vidro do meu carro e roubou a bolsa da minha mulher… O carro avariado ficou então estacionado no monumento e o Mário aceitou me levar no carro dele que tem os pneus adequados.

No cemitério foram enterrados 465 combatentes e outros 18 alemães. Atualmente, apenas um brasileiro se encontra lá, pois foi encontrado nas montanhas depois que os corpos foram transladados para o Rio de Janeiro, se tornando o Soldado Desconhecido

Pelas estradinhas apertadas das montanhas, dava para ver que o terreno acidentado era um obstáculo formidável para os combatentes sobretudo com a neve cobrindo tudo. Imagine com rajadas de metralhadoras e morteiros sobre o seu capacete, já que havia pontos de defesa dos alemães e patrulhas inimigas em todo território.

As montanhas da Toscana são um território inóspito onde o Brasil lutou na segunda Guerra Mundial (Foto: Mateus Parreiras)

Uma das dificuldades era de levar os cabos de comunicação das linhas de combate até as bases. Um trabalho intenso e que levou os aldeões locais a apelidarem o equipamento de fio brasiliano. O hábito dos nossos pracinhas de comer manteiga, ou burra, em italiano, também acabou incorporado naquela população. Segundo o Mário, os brasileiros conquistaram os habitantes locais que passavam pela fome eu frio, pela sua solidariedade. “Enquanto o americano jogava o que sobrava fora e ou inglês enterrava, o brasileiro dividia de suas próprias provisões com que precisava”, afirma Mário.

Passamos por várias colinas onde os brasileiros tomaram posições sob o fogo de ninhos de metralhadoras e enquanto isso a neve começou a cair com força no topo das montanhas, transformando a tarde em noite às 14h.

Monumento aos pés do Monte Castelo homenageia os brasileiros mortos na sua maior batalha (Foto: mateus Parreiras)

Ainda assim conseguimos chegar ao Monte Castelo. Aquela foi a mais dura batalha que o Brasil enfrentou, com 417 baixas, entre mortos e feridos. A colina é bem íngreme e vegetada, com uma altura de mais de 200 metros. A batalha se arrastou por três meses, de 24 de novembro de 1944 a 21 de fevereiro de 1945. Foram lançados seis ataques de brasileiros e norte-americanos até a tomada do monte pela FEB.

Mário Pereira mostra portão de aço perfurado há 70 anos na batalha de Montese (Foto: Mateus Parreiras)

Adiante, pelas estradas cada vez mais apertadas e sinuosas, passando por pequenas aldeias, chegamos a Montese, onde o Brasil lutou sua primeira grande batalha urbana, tendo de expulsar os nazistas de cada casa, igreja, torre e ponte, entre os dias 14 e 17 de abril de 1945.

É uma cidadezinha bem típica de pedras e casario montanhês da toscana. O centro charmoso até hoje ainda tem vestígios da Guerra, 70 anos depois. Várias estruturas têm ainda furos de projeteis de grosso calibre, como portões de metal e até mesmo o chafariz central da vila, que ainda está perfurado por tiros e estilhaços. Lá também se encontra um simpático museu com peças da segunda guerra que foram doadas.

Museu da segunda Guerra Mundial em Montese (Foto: Mateus Parreiras)

É interessante agendar antes essas visitas e tentar não ir no inverno, como eu fiz. Só que não tive outra escolha.

10 comentários em “Como estão os locais onde o Brasil lutou na Segunda Guerra? Expedição em homenagem ao Dia da Vitória

  1. Interessante a historia, mas onde a sua muljer estava com a cabeça, deixando uma bolsa dentro do carro? É. pedir para ser roubado.

    1. Se eu te contar… só tinha, digamos, produtos de higiene feminina na bolsa, rsrsrs. O ladrão deve ter ficado bem bravo, kkkk

      1. boa tarde…seu voo do brasil foi para florença ou roma, napoles passa o roteiro que vc fez por gentileza pretendo fazer esse passeio

        1. Olá, amigo, que bom que você está planejando esse roteiro patriótico! Eu cheguei na Itália de carro, vindo da Espanha. O melhor caminho é passar por Florença e descer até Pistóia e daí traçar suas rotas de preferência! Espero ter ajudado, qualquer dúvida, pode perguntar! Um abraço!

  2. Que maravilha de passeio, mesmo com neve. Pretendo um dia conhecer esses locais que vc descreveu.
    A história dos pracinhas brasileiros me emociona muito!
    Obrigada por compartilhar sua experiência! Abs.

  3. Não há algum pacote ou algo que seja simples para visitar os caminhos da FEB?. Eles foram tema da minha monografia de fim de curso da minha graduação em história.

    1. Infelizmente desconheço um pacote assim. Em Pistoia você pode contactar o cemitério e o monumento brasileiro que o pessoal de lá pode te ajudar. Boa sorte!

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