Eu não vim para explicar, eu vim para confundir

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Estamos em meio a uma grande revolução digital, mas as pessoas parecem mais confusas agora do que antes. Ao contrário de estarem mais esclarecidos, vejo gente se atrapalhando com coisas básicas.

Senti na pele isso há alguns meses ao ser abordado por um torcedor do Cruzeiro. Ele me perguntou seu eu continuava sendo o “representante do Atlético na bancada” dos programas de TV que participo. Expliquei que sou repórter do jornal Estado de Minas e do portal Superesportes e, portanto, não caberia a mim “representar” qualquer clube. Ele saiu, mas não me pareceu convencido com a explicação.

Pelo que vivemos atualmente, não o recrimino. Há muito tempo temos gente ocupando espaço na mídia como torcedor. Nada contra. Só não é minha opção. Um dia posso até aceitar o papel, ou  mesmo trabalhar em assessoria. Por enquanto, prefiro seguir cobrindo fatos ou participando da edição de matérias independentemente das cores envolvidas. Parafraseando um grande companheiro de profissão, Alexandre Simões, gosto mais de futebol do que qualquer clube no mundo.

Outro aspecto que a revolução digital reforçou foi a acomodação. Dificilmente as pessoas vão atrás de alguma coisa. Se não estiver na mão (celular), não vão ler, ver, ouvir. Temos acesso a tudo, mas ao mesmo tempo estamos cada vez mais reféns do que os algoritmos das empresas de tecnologia decidem nos oferecer.

 

Fredy Builes/Reuters

                                                                                                                                                                                                                                                                                        Fredy Builes/Reuters

 

 

Talvez por isso tenha cada vez menos pessoas em shows de bandas alternativas e até de não tão alternativas. Uma pena, pois tem coisas boas sendo produzidas. E gente com muito tempo de estrada ainda na ativa, como os Dead Kennedys (foto), que farão turnê no Brasil em maio, com direito a shows em São Paulo (dia 25), Brasília (dia 26) e Belo Horizonte (28). Tudo bem que a banda não tem há décadas o performático vocalista Jello Biafra, mas trata-se de uma grande chance para conferir apresentação de músicos que ajudaram a moldar o punk rock lá atrás.

Você pode conferir a história  toda do grupo dando uma busca na internet. Mas conferir uma apresentação pessoalmente, só indo ao show. E pode até registrar um pedaço com o celular, mas sem exagerar, ok? Afinal, o bom é guardar tudo na memória.

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