O abismo entre capital e interior vai continuar

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Reproduzo aqui matéria que fiz para o jornal Estado de Minas e para o portal Superesportes. Espero que gostem:

 

O Campeonato Mineiro de 2019 chega à última rodada apresentando uma das maiores disparidades entre os times da capital e os do interior. Com o Atlético já tendo assegurado o primeiro lugar, com 25 pontos, e Cruzeiro (22) e América (21) disputando o segundo lugar, resta aos demais participantes lutar para subir na tabela, diminuindo o abismo.

A equipe de fora de Belo Horizonte mais bem colocada é o Boa, que soma 15 pontos. Se vencer o Villa Nova, quarta-feira, em casa, o representante de Varginha pode diminuir para três pontos a distância para o terceiro colocado, desde que o América perca, no Independência, para o ameaçado Guarani.

Mas se o Boa não conseguir derrotar o Leão do Bonfim, será a segunda maior discrepância do interior para a capital desde que a fórmula de turno único com 12 times foi adotada, em 2004. Em alguns anos, os interioranos até foram superiores – como em 2015, quando a Caldense fez a melhor campanha, ou em 2006, quando o Ipatinga terminou a primeira fase na liderança. Bem diferente do cenário atual.

Para os envolvidos, a tendência é realmente que os clubes de BH se distanciem cada vez mais. Afinal, têm orçamento muito maior que os concorrentes, podendo investir mais na contratação de profissionais e em infraestrutura.

“A disparidade vai continuar, até porque a estrutura da capital é bem melhor. Os CT’s de Atlético e Cruzeiro estão entre os melhores do Brasil, e o América está no mesmo caminho. São clubes com poder aquisitivo alto, enquanto os do interior têm dificuldade de formar as equipes. Quase todos são times de verão: disputam o Campeonato Mineiro e param. Então, precisam formar equipe todo ano”, afirma Mauro Fernandes, técnico da Caldense, que garantiu a classificação às quartas de final do Estadual com a goleada por 3 a 0 sobre o Tupynambás no domingo, em Poços de Caldas.

Do outro lado, a análise é parecida. Os técnicos das equipes da capital também ressaltam a diferença financeira e não veem soluções a curto prazo. “Vejo cada vez mais dificuldade para um time do interior disputar um campeonato curto, buscar investimento onde não tem. É a realidade do futebol brasileiro”, argumenta o comandante do Cruzeiro, Mano Menezes. “Os times do interior sofrem muito, trabalham apenas alguns meses por ano, sofrem com campo para treinar, pagamento de salários… Se um time pequeno começa a evoluir, pode olhar, é porque tem alguém investindo. É o que ocorre todo ano no Campeonato Paulista, alguém coloca dinheiro”, opina o experiente Givanildo Oliveira, que dirige o América.

CAMPANHA RUIM A penúria do interior não é vista apenas na distância para os clubes da capital. Com apenas quatro pontos, o já rebaixado Tupi está muito perto de se consolidar como dono da segunda pior campanha no Mineiro desde 2004, superando somente o Guarani, que em 2009 fez 3 pontos. O time de Juiz de Fora encara a ameaçada URT quarta-feira lutando para ao menos se igualar ao desempenho do Tricordiano em 2017, do Funorte em 2011, de Uberlândia e Ituiutaba em 2010, do América em 2007, da URT em 2006 e do Mamoré em 2005, que somaram cinco pontos.

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