Deixem a terra em paz

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Sei que precisamos seguir a vida, mas desde 25 de janeiro, quando uma barragem de rejeitos da Vale se rompeu na comunidade de Córrego do Feijão, em Brumadinho, está difícil falar de futebol. Estive algumas vezes no município da Região Metropolitana de Belo Horizonte nos dias que se seguiram à tragédia participando da cobertura para o jornal Estado de Minas/portal Uai e não tenho outro sentimento de não de muita tristeza e indignação. São muitos mortos, muita gente que perdeu tudo, uma cidade inteira e as vizinhas marcadas para sempre pela destruição que poderia ter sido evitada, ainda mais depois do que ocorreu em Mariana há pouco mais de três anos.

Assim, não tive muita inspiração para escrever sobre futebol nos últimos dias por aqui. No jornal/site, até por obrigação profissional, continuei meu trabalho, mas só eu sei o quão duro foi fazer textos sabendo de saber e, principalmente, presenciar tanto sofrimento. Foi assim, por exemplo, que cobri o clássico Cruzeiro 1 x 1 Atlético. Ou o empate por 2 a 2 entre a Raposa e o Boa.

Na música ainda consegui um refúgio, principalmente nas bandas de punk rock e hardcore que sempre alertaram para os perigos da busca por lucro desenfreado, para a falta de consideração coma natureza, da falta de respeito com a vida. Quem tem abordagem incisiva sobre o tema é o Cólera, grupo seminal do punk nacional, formado ainda no fim dos anos 1970 e que continua na ativa, apesar da morte do vocalista/guitarrista/compositor Rédson em 2011. Dá para conferir um pouco do trampo dos caras aqui.

Não dá para esperar ações diferentes de quem tem de responder a acionistas, que precisa mostrar resultados melhores a cada trimestre, que tem de bater metas. Só com legislação eficiente e fiscalização vamos evitar que novas tragédias ocorram. E se quisermos deixar alguma natureza para nossos descentes, temos de  buscar urgentemente novas formas de consumo, de produção, um sistema econômico menos agressivo aos recursos naturais, cada vez mais finitos.

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