Olho no futuro, sem esquecer o passado

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Janeiro é época da Copa São Paulo de Futebol Júnior, ainda a mais tradicional competição das categorias de base do Brasil. E a cada edição surgem surpresas na disputa e, principalmente, promessas que fazem brilhar os olhos dos torcedores. Porém, entre revelações e decepções, surge mais uma preocupação: a quem pertence determinado jogador?

A indagação faz sentido a partir do momento em que cada vez mais garotos ainda de calças curtas já tem assessor de imprensa, empresário e, obviamente, “dono”. Aliás, “donos”, pois quase sempre há mais de um “investidor”, “agente” ou simplesmente um familiar que exige percentagem nos direitos para que o pupilo assine com determinado clube.

 

Gustavo Aleixo/Cruzeiro E.C.

Um dos destaques da Copinha, como é conhecida a competição paulista, vem sendo o atacante cruzeirense Vinícius Popó (foto). Com apenas 17 anos, ele já teve o contrato renovado até julho de 2023. Isso não será suficiente para impedir que um grande clube do exterior venha buscá-lo, pagando quantia astronômica. A dúvida é, no caso de venda, quanto sobrará para o clube.

Diante do quadro, as agremiações estão investindo menos na montagem dos times de base. Preferem contratar jogador quase pronto, já com 18 anos, 19 anos, às vezes até 20 anos, mas ainda para a equipe júnior. Se vingar, ok. Se não, é devolvido a quem o negociou por período temporário.

 

CRÍTICAS Outro assunto que sempre  vem à tona na Copinha é a qualidade dos atletas formados, principalmente em clubes de grande torcida. A maioria não quer saber se o técnico perdeu atletas para o time profissional ou mesmo se algumas das principais peças foram emprestados para disputar estaduais em outros clubes e ganharem experiência. Basta não chegar ao menos às semifinais para chegarem críticas ácidas, do tipo “se é para formar jogadores assim, é melhor fechar a base”.

Precisamos ter calma, principalmente por se tratar de garotos. Muitas vezes, aquele que se destaca na base não consegue vingar no profissional. Já alguém que era reserva evolui bastante e vira um grande jogador no time de cima. Isso depende de uma série de fatores, tanto físicos quanto técnicos, passando por aspectos psicológicos e também pela questão familiar. A pressa, sempre, é inimiga da perfeição.

Outra discussão recorrente sobre se a base deve se preocupar mais em formar atletas para o time de cima ou ganhar títulos. O ideal é que consiga os dois, para que os jovens cresçam com mentalidade vencedora. Isso nem sempre é possível, o que não significa que uma geração que não ganhe títulos importantes nas categorias inferiores não irá ser vencedora como profissional.

Mesmo buscando a compreensão, sendo ponderados e tendo paciência, seguimos acertando e errando. No futebol e na vida.

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