Atuações e polêmicas

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Há várias maneiras de analisar o futebol. Tem gente que gosta de times que jogam bem, ainda que não tenha jogadores para isso. Há os que, mesmo tendo craques, preferem uma defesa bem montada e o uso de contra-ataques. Há os suicidas, que defendem o ataque a qualquer preço. Os que valorizam apenas a vitória e por aí vai. Todos com razão.

Justamente por isso o papel de jornalista muitas vezes é ingrato. E, como repórter, uma das coisas mais complicadas é escrever as “Atuações”, como são chamadas as análises individuais de atletas em um jogo. Tarefa já seria difícil por se tratar de um esporte coletivo. Quando está em jogo o próprio conceito do jogo, fica quase impossível que haja ponto de convergência.

Muitas vezes, um atacante participa pouco do jogo, mas faz dois gols de dentro da pequena área, sem goleiro. Para uns, ele merece todos os elogios e até aqueles prêmios de melhor em campo, normalmente concedidos por emissoras de rádio. Para outros, teve atuação razoável.

Há também casos em que os atletas adotam uma postura que pode desagradar o torcedor, mas que foi determinada pelo técnico. Um lateral que não apoia, por exemplo. Ou um volante que não passa do meio-campo e só toca de lado. Foram bem ou mal?

Outra dificuldade é analisar as substituições. Muitas vezes, o treinador pensa uma coisa, mas o jogador que entra não consegue executar. Aí, podemos dizer que ele errou ou acertou? A culpa não seria do atleta? Ou o treinador deveria saber da incapacidade de seu comandado ou da capacidade do adversário?

Claro que há situações em não há margem para interpretação. Um frango de um goleiro. A falha de um zagueiro. O gol perdido pelo artilheiro no fim do jogo. Mas, mesmo assim, não é justo jogar tudo sobre um único personagem.

Enfim, a divergência faz parte. E é ela que tantas vezes gera as melhores discussões sobre futebol. Que sigamos respeitando as opiniões alheias e buscando argumentos para justificar as nossas. “Posso não concordar com sua opinião, mas vou defender até o fim o direito de você expressá-la”.

 

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