Hora de ter criatividade

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Corro o risco de me tornar repetitivo, mas volto à questão financeira dos clubes de futebol, pois esta é a época em que os dirigentes estão muito propensos a gastar mais do que têm. Tenho gostado dos discursos de alguns diretores e treinadores, sabedores que, com raras exceções, todos estão em dificuldades para fechar as contas. Me deixa um pouco menos apreensivo quanto ao futuro do futebol brasileiro.

É na hora do aperto que pode surgir a grande ideia, que as pessoas se tornam mais criativas, buscam alternativas para se manter no jogo. Se não há dinheiro sobrando, é preciso ser criterioso no gasto, dar “o tiro certo”, como dizem alguns.

O Corinthians já havia mostrado o caminho nesta temporada, quando conquistou o título paulista e também o do Campeonato Brasileiro, esse com nove pontos de vantagem sobre o segundo colocado.  Tudo isso sem uma grande estrela. Podem apontar o atacante Jô como destaque e ele realmente o foi. Mas antes de a temporada começar, não passava de uma aposta, depois de passagens discretas pelo  Al-Shabab, dos Emirados Árabes Unidos, e Jiangsu Suning, da China, onde ficou poucos meses.

Mesmo tendo Jô como referência,ao principal arma  do Timão foi o conjunto, muito bem montado pelo jovem técnico Fábio Carille. Ele soube encaixar as peças certas no locais certos e o time fez o melhor primeiro turno da história dos pontos corridos. Jogadores contestados, como o paraguaio Romero, passaram a render e foram importantíssimos para o time. Rodriguinho não é craque, mas também se sobressaiu. Jadson foi outro que se superou. Pablo foi o destaque da zaga, enquanto o jovem Guilherme Arana se destacou na lateral esquerda.

Enquanto isso, times de investimentos muitos mais vultosos tropeçaram nos próprios erros. Outros, na própria falta de planejamento. O Palmeiras é um exemplo: teve dinheiro, graças a um patrocinador mão aberta e com interesses políticos, mas gastou mal. Foi empilhando contratações, que se somaram a bons valores. Mas, no fim, fracassou no Paulista, na Libertadores, na Copa do Brasil, no Brasileiro.

Como dezembro é época de de reflexão e de planejar o próximo ano, que os dirigentes se mirem no exemplo corintiano. Melhor que ter dinheiro é saber gastá-lo, usá-lo de forma correta, sabendo o valor de cada real. O Corinthians parece que sabe, pois já anunciou que não pretende fazer grandes investimentos, mesmo estando de volta à disputa da Libertadores. Não que faça isso por vontade própria. Mas ao menos não está pensando em dar passo maior que a perna, como dizem no interior mineiro.

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