Falta união, falta visão

Publicado em Sem categoria

É cada vez mais difícil emitir opinião, mas é cada vez mais claro que que estão fazendo de tudo para minar a Primeira Liga. A competição que surgiu para ser o embrião da revolução no futebol brasileiro está sucumbindo pelo mesmo motivo que vitimaram outras iniciativas que poderiam melhorar o esporte mais popular do país: a falta de união dos dirigentes. De união e de visão, pois preferem olhar apenas o próprio umbigo e o agora, deixando de mirar o todo e o futuro.

Desde o surgimento do torneio, em 2015, as dificuldades apareceram. Um grupo de dirigentes tomou a frente e trabalhou para superá-las. Os paulistas se mantiveram distantes desde o início. Dos cariocas, só Flamengo e Fluminense aderiram. Mesmo assim, a competição teve suas primeira edição no ano passado, enxuta, com fórmula simples, jogos interessantes, outros nem tanto.

Assim, criou-se a expectativa para a edição 2017. E aí, motivados pelos mais variados interesses, mais baixas rolaram. Atlético-PR e Coritiba, as principais. Mesmo os que ficaram não estão dando a importância devida, muitas vezes jogando com equipes reservas. Afinal, também têm compromissos pelos Estaduais, que pagam bem mais, além de serem mais tradicionais.

A própria organização da Primeira Liga não ajudou ao aumentar o número de participantes de 12 para 19. Com mais datas, teve de estender o calendário, começando em janeiro, parando em março e só voltando em agosto, com a final só ocorrendo em outubro. Nada mais desinteressante para o torcedor, que já tem de acompanhar seus time em outros torneios, cada um com seu regulamento, além do inegável avanço do futebol europeu, que cada vez ocupa mais horas na grade de programação das TVs por assinatura.

Aos invés de ser uma alternativa rentável e de boa qualidade técnica, a nova competição se tornou um estorvo para os clubes e seus torcedores, cada dia com menos poder aquisitivo. Com isso, parece com os dias contados e há quem diga que nem emplacará 2018.

Enquanto isso, a CBF observa tudo de longe. Diz não ter nada com isso, mas não se esforça nem um pouco para viabilizar a competição idealizada pelos seus filiados. Pelo jeito, vai continuar comandando torneios como o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, que dariam muito mais dinheiro aos clubes se eles próprios os administrassem. Os dirigentes parecem adolescentes que, ao ganharem liberdade dos pais, só fazem trapalhadas e voltam para casa envergonhados. Uma pena.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *