A dura vida dos times do interior

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Para escrever uma série de reportagens para o jornal Estado de Minas, eu e o também repórter Roger Dias rodamos muitos quilômetros para, mais uma vez, mostrar a dura realidade da maioria dos times do interior de Minas. São clubes que, por mais estruturados que sejam, estão bem distantes dos “primos ricos” Atlético e Cruzeiro e mesmo do América, terceira força do estado. Nada de holofotes, câmeras de TV, concorridas entrevistas coletivas ou tietes acompanhando treinamentos. O que se vê, na maioria dos casos, é jogador suando muito em busca de um lugar ao sol no concorrido mercado do futebol, treinadores administrando escassez, dirigentes se virando para conseguir honrar compromissos.

Os salários costumam ser baixos. As premiações, quando existem, também. Segundo dados divulgados pela CBF em 2015, 82,40% dos jogadores profissionais de futebol ganham até R$ 1.000,00. Já 13,68% recebem mensalmente entre R$ 1.000,00 e R$ 5.000,00 no Brasil. Ou seja, menos de 4% ganham acima dos R$ 5.000,00, sendo que menos de 2% ganham acima R$ 50.000,00.

Então, o que move quem está nos times do interior? Acho que, na maioria dos casos, amor. Não por um clube, mas por fazer aquilo que sempre desejou, viver de jogar futebol.

Todo mundo conhece alguém que tentou atuar profissionalmente. Ou que almeja isso, mesmo que a realidade aponte para outro caminho. São poucos os que conseguem, o funil, como dizem no meio, é estreito. Por isso devemos considerar todos eles vencedores. Ainda que pouca gente dê atenção, que não haja valorização nem na própria cidade, que as condições não sejam as ideais.

O futebol não feito só de Messis e Cristianos Ronaldos. Nem de Freds e Thiagos Neves. Para cada um deles, há milhares de quase anônimos que fazem a essência do futebol continuar existindo.

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