Patinhos feios

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As relações no futebol vão de acordo com o resultado, na maioria das vezes. Porém, em alguns casos, nem mesmo um currículo recheado de conquistas ou bons serviços comprovadamente prestados aos clubes são capazes de acabar com a antipatia gerada. Há jogadores e mesmo treinadores que nunca conseguem acabar com a rejeição, por mais que se esforcem.

Entre os treinadores, Celso Roth parece ser um exemplo disso. Já fez bons trabalhos, conhece futebol, mas o jeito carrancudo não gera empatia com os torcedores por onde passa. Posso estar enganado, mas não conheço um clube onde os torcedores tenham saudades dele. Nem no Internacional, onde foi o comandante na conquista da Copa Libertadores de 2010. Até porque, alguns meses depois, foi eliminado nas semifinais do Mundial de Clubes pelo inexpressivo Mazembe.

Entre os jogadores, alguns são fenômenos. Entre eles está o volante Márcio Araújo, revelado pelo Atlético. Ele foi titular absoluto não só no Galo, mas também em outros gigantes, casos de Palmeiras e Flamengo, onde se mantém em alta, independentemente do treinador.

No Cruzeiro, o volante Bruno Ramires vem sofrendo cobrança acima do normal da torcida, mas continua em alta com o técnico Paulo Bento. Outro que vinha sendo escalado, apesar da resistência dos torcedores, era o atacante Allano, emprestado ao Bahia justamente para se sentir “mais confortável e menos pressionado”, segundo o próprio treinador celeste.

Já no Atlético, o lateral-direito e armador Patric é constantemente questionado por quem está no estádio ou acompanha jogos pela TV e pelo rádio. Isso não muda a opinião dos treinadores do Galo, e desde Levir Culpi vem sendo escalado nas mais diversas posições.

A questão, acredito, não é a qualidade técnica dos citados e de tantos outros pelos campos do Brasil a fora. Muitos deles realmente deixam a desejar se o grau de exigência for maior. Por que, então, seguem com prestígio?

Imagino que seja pela aplicação em campo. Técnicos costumam adorar atletas que cumprem a risca o que lhes é determinado. Melhor escalar um medíocre (= médio) obediente que um acima da média indisciplinado taticamente. Só aos craques é permitido descumprir ordens. Há também o jogo visto pela torcida e crônica esportiva e o que os profissionais de cada equipe vêem. A diferença é grande.

Não imagino que o cenário vá mudar. Mas aconselharia aos torcedores procurar ver as partidas por outro ângulo, abrir a mente e tentar entender o que o treinador está tentando. Talvez assim os patinhos feitos de hoje virem cisnes amanhã.

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