Parceiros ou concorrentes?

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A busca do Cruzeiro por um substituto para o técnico Deivid trouxe de volta à tona a discussão sobre os limites éticos entre os clubes. Os presidentes de Vasco e Botafogo não ficaram nada satisfeitos com o assédio do clube celeste sobre Jorginho e Ricardo Gomes, respectivamente. Alegam que deveriam ter sido procurados antes por seus pares cruzeirenses. Já os dirigentes celestes apenas teriam agido como em qualquer empresa – o próprio clube havia perdido Mano Menezes para o Shandong Luneng-CHI no fim do ano passado.

Os dois lados podem estar certos. Se vivemos em uma economia de livre mercado, qualquer trabalhador pode receber proposta e mudar de emprego, a não ser quando tem cláusula restritiva no contrato ou esteja estabelecido em Lei período de quarentena, como ocorre, por exemplo, com alguns cargos públicos. Quem deve decidir é o funcionário.

O que pode ser questionado é a relação que existe entre os clubes e seus dirigentes. Quando precisam estar juntos para algo, como, por exemplo, pedir perdão de dívidas fiscais a governos, costumam se tratar com cordialidade, viram “co-irmãos”, como alguns gostam de dizer. Mas basta uma disputa, seja por dinheiro, jogador ou troféu,  para cizânia estar semeada, para parceiros se tornarem concorrentes.

Não acredito que haja espaço para uma união real de quem disputa as mesmas coisas, tem os mesmos objetivos. Não porque isso seja impossível, mas porque a própria estrutura do futebol brasileiro leva a maioria dos dirigentes à miopia. A disputa devia ser apenas dentro de campo, com a bola rolando, durante aqueles 90 minutos onde ocorre toda a mágica. Mas a maior parte leva também para negociações, o que provoca o desejo de levar vantagem, exacerba a falta de ética, atropela os bons modos, leva ao assédio de integrantes de outras agremiações.

Há quem defenda a adoção por aqui de regras usadas em outros países. Na Itália, por exemplo, um treinador não pode defender mais de um clube por temporada, o que gera mais estabilidade, ainda que não evite demissões.

Seria bom se o assunto fosse abordado pelo grupo de discussão montado pela CBF para propor melhorias para nosso futebol. Há de se discutir quando há pontos de vista conflitantes.

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