Excesso de peso pode afetar a fertilidade

Publicado em Bem-estar, reprodução assistida, saúde

Mulher grávida na balança

Mais da metade da população brasileira está com excesso de peso ou obesidade. Além de colocar a saúde em risco, o excesso de peso pode afetar a fertilidade, principalmente da mulher. Em caso de gestação, são necessários cuidados específicos para não colocar a saúde da mãe e nem a do bebê em risco.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é considerado excesso de peso o Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 25 kg/m². E, a partir de IMC 30 kg/m², a pessoa está obesa. De acordo com pesquisa mais recente do Ministério da Saúde, realizada em 2019 e divulgada em 2020, 57,5% da população adulta brasileira estava com IMC acima de 25 kg/m². Considerando apenas as mulheres, eram 56,2%. Nos dados sobre obesidade, eram 21,5% dos brasileiros adultos. E entre as mulheres, 22,6% delas estavam obesas.

“O excesso de peso pode afetar a fertilidade, provocando problemas cardiovasculares, alterações anatômicas e desequilíbrio hormonal. E esse desequilíbrio causa disfunções menstruais e falta de ovulação – a anovulação. Com esse quadro, a mulher pode enfrentar subfecundidade ou até infertilidade”, explica a médica especialista em reprodução assistida, Cláudia Navarro.

Sobre esse assunto, a recomendação para a mulher que está acima do peso e pretende engravidar é buscar a ajuda de um especialista em reprodução humana. “O profissional vai apresentar alternativas, como indução da ovulação, inseminação intrauterina ou até mesmo a fertilização in vitro. Mas é muito importante ressaltar que, antes de se iniciar o tratamento, é indicada a perda de peso com acompanhamento multidisciplinar”, alerta Cláudia.

Obesidade na gravidez

A mulher que tem sobrepeso e engravida precisa tomar alguns cuidados durante a gestação. Por exemplo, o risco de aborto e complicações na gravidez pode aumentar pelo excesso de peso, que também pode causar problemas como pré-eclâmpsia e diabetes.

“No caso de mães diabéticas, há cerca de 50% de chances de que ocorra macrossomia fetal, ou seja, excesso de peso para a idade gestacional, e hipoglicemia. Outro problema que pode ser provocado pelo excesso de peso é a pré-eclampsia, que pode até representar risco de interrupção da gravidez antes da hora, o que irá provocar a prematuridade fetal com todas suas consequências”, comenta a médica. 

Controle do peso

Manter uma dieta balanceada é fundamental e é importante que mãe e bebê recebam todos os nutrientes necessários. O ganho de peso nesse período é normal, mas, ao contrário do que o senso comum diz, a gestante não precisa “comer duas vezes mais”. Quem está com peso ideal costuma ganhar em torno de 10kg.  Já quem apresenta sobrepeso deve manter esse aumento em, no máximo, 7 kg.

O acompanhamento da saúde da mulher como um todo, durante toda a gestação, é fundamental porque maus hábitos alimentares na gravidez também resultam em consequências após o parto. “Quase 50% das mulheres mantêm alguns dos quilos adquiridos nesse período. A atividade física supervisionada pode ser uma aliada no controle de peso durante a gestação”, orienta Cláudia Navarro.

Sobre Cláudia Navarro 

Cláudia Navarro é especialista em reprodução assistida. Graduada em Medicina pela UFMG em 1988, titulou-se mestre e doutora em Medicina (obstetrícia e ginecologia) pela instituição federal. Atualmente, atua na área de reprodução humana, trabalhando principalmente os seguintes temas: infertilidade, reprodução assistida, endocrinologia ginecológica, doação e congelamento de gametas.  

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *