Com pandemia, tratamentos para engravidar estão restritos

Publicado em câncer, óvulos, reprodução assistida, saúde

Os tratamentos para engravidar têm obedecido critérios de segurança para combater a Covid-19. A paciente oncológica com desejo de congelar óvulos, por exemplo, deve receber atendimento.

Estamos num momento da pandemia em que ainda temos muitas incertezas acerca da Covid 19. Porém, sabe-se que muitas mulheres não podem esperar muito tempo para iniciarem seus tratamentos para engravidar. Então, a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana – SBRH, a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA e a Rede Latino Americana de Reprodução Assistida – Redlara formalizaram um documento com diversas orientações para clínicas atenderem às pacientes que precisam retomar seu tratamento. 

Milhares de brasileiros enfrentam a infertilidade e todos os anos acontecem milhares de ciclos de reprodução assistida. No ano passado, segundo a Anvisa, foram mais de 40 mil ciclos no país, e com tendência de crescimento. O que significa que, em 2020, provavelmente outros milhares de ciclos seriam realizados. Não fosse o risco de contaminação pela Covid 19 e a consequente paralisação dos atendimentos.

“Nenhuma paciente parou seus tratamentos para engravidar na metade, mas muitas já haviam realizado os primeiros exames para avaliação da fertilidade e estavam quase prontas para iniciar efetivamente o tratamento. Essas, com certeza, enfrentam um momento de ansiedade”, comenta Cláudia Navarro, especialista em Reprodução Assistida e membro da ASRM. 

Mas agora, após diversas análises dos estudos feitos até o momento acerca do risco de contaminação, temos orientações bem específicas para um grupo de mulheres que devem, sim, seguir com o tratamento. Mas antes de enumerá-las, a médica ressalta que “como tudo na medicina, isso não é uma receita de bolo. Ou seja, cada caso será sempre avaliado individualmente”, diz.

“Portanto, se o médico disser que agora não é o melhor momento para tentar a gravidez, é porque, após a análise de exames e o diagnóstico, ele avaliou que é seguro esperar”, argumenta a especialista. 

Então, vamos aos casos:  

Para realizar o atendimento, é importante verificar se: a paciente irá passar por procedimentos oncológicos e deseja a preservação da fertilidade (congelamento de óvulos); a paciente tem necessidade de tratamento cirúrgico que determinarão diminuição da reserva ovariana em decorrência da cirurgia; a paciente tem diagnóstico de baixa reserva ovariana, na qual a demora para a realização do seu tratamento poderá impactar de maneira grave nas suas chances reprodutivas. O fator idade também é importante para a avaliação. 

O documento das entidades é bem claro quanto à decisão de iniciar um tratamento: “A decisão médica de iniciar um novo ciclo, durante o curso desta pandemia, deve ser pautado em critérios técnicos, respeitando as recomendações governamentais, dos órgãos de saúde, como o Ministério da Saúde (MS) e a Organização Mundial da Saúde e as recomendações das sociedades médicas de reprodução assistida, nacional (SBRA, SBRH) e internacionais (ASRM e ESHRE)”. 

Essa retomada nos atendimentos também é bem criteriosa. São necessários cuidados como intervalos aumentados entre uma consulta e outra, para evitar aglomerações; treinamento da equipe para conduta diante de casos de covid; cuidados redobrados quanto à assepsia dos ambientes e, sempre que possível, o médico deve optar pela telemedicina. 

“É um processo de adaptação. Se a mulher ainda tem dúvidas, marcar uma consulta, mesmo que virtual, é uma boa saída para esclarecê-las”, sugere Cláudia Navarro..

Sobre Cláudia Navarro

Cláudia Navarro é especialista em reprodução assistida, diretora clínica da Life Search e membro das Sociedades Americana de Medicina Reprodutiva – ASRM e Europeia de Reprodução Humana e Embriologia – ESHRE. Graduada em Medicina pela UFMG em 1988, titulou-se mestre e doutora em medicina (obstetrícia e ginecologia) pela mesma instituição federal.

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