Câncer colorretal: o segundo mais comum no Brasil

Publicado em câncer, oncologia, radiologia, saúde

Histórico familiar positivo, história prévia de doenças intestinais inflamatórias, dieta rica em carnes vermelhas, carnes processadas (tais como presunto, salsicha, linguiça e mortadela), obesidade, consumo excessivo de álcool e tabagismo estão entre os principais fatores de risco do câncer colorretal. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são esperados no Brasil neste ano 20.540 novos casos de câncer colorretal em homens e 20.470 casos em mulheres.

Esta neoplasia representa o segundo tipo mais comum na população brasileira, com exceção do câncer de pele não melanoma. Nos homens o tipo mais comum é o de próstata e nas mulheres a neoplasia de mama tem a maior incidência.

Por outro lado, a prática de atividade física e dieta rica em fibras são fatores protetores contra a doença. Nesse caso, a recomendação para um adulto saudável é ingerir entre 25 e 30 gramas de fibras por dia.

Sintomas

Os principais sintomas do câncer de reto são: mudança no hábito intestinal, sangramento ao evacuar ou associado às fezes, perda de peso não intencional, dor pélvica e abdominal.

Infelizmente, os sintomas são mínimos ou inexistem quando o tumor está em fase inicial. Por isso é muito importante a adoção de estilo de vida saudável. E também que se busque orientação médica sobre as formas de rastreamento, especialmente para aqueles que possuem os fatores de risco citados anteriormente e indivíduos acima de 50 anos. O rastreamento pode se dar com exame físico, pesquisa de sangue oculto nas fezes, retossigmoidoscopia e colonoscopia.

Tratamento

Especificamente sobre o câncer de reto, uma vez feito o diagnóstico, o tratamento varia desde à ressecção da lesão por meio de colonoscopia em casos mais iniciais até cirurgias mais extensas,

Uma modalidade de tratamento comumente chamada de “estratégia de preservação de órgão” começou a ser estudada no Brasil na década de 90 e vem ganhando mais espaço e notoriedade no mundo. Tal possibilidade terapêutica se tornou possível pois aproximadamente 30% dos pacientes tratados com quimioterapia e radioterapia apresentam resposta completa ao tratamento. Isto é, sem evidência de neoplasia viável ao final da quimioirradiação. Isso permite que a cirurgia seja omitida, sem prejuízo à cura e sem necessidade de ressecção de parte ou todo o reto.

O grande benefício dessa estratégia é diminuir o risco de complicações cirúrgicas. Entre elas, disfunções urinárias e sexuais, além de incontinência fecal e uso provisório ou permanente de colostomia.

Por fim, é importante lembrar que todo tratamento de neoplasia de reto deve ser conduzido por equipe multidisciplinar. Além disso, deve ser individualizado considerando as características e vontades de cada paciente.

 

Autor: Rafael Borges Salera – Médico radio-oncologista, CRM nº 60170 – Instituto de Radioterapia São Francisco

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