Por que não consigo ter o segundo filho?

Publicado em ginecologia, óvulos, reprodução assistida

A chamada infertilidade secundária, ou a dificuldade para ter o segundo filho, pode ter diversas causas

Quando falamos de infertilidade, logo pensamos em pessoas que não podem ou têm dificuldade para ter filhos, certo? De forma bem resumida, o raciocínio está, sim, correto. Mas é preciso levar em conta que existem casos em que somente na tentativa de ter o segundo filho é que o casal começa a perceber dificuldades para conceber.

“Precisamos considerar também se aquele casal já tem filhos, independente dos cônjuges já terem filhos com outros parceiros”, pondera a especialista em Reprodução Assistida, Cláudia Navarro. Assim, a infertilidade do casal é considerada primária se aquele casal nunca engravidou (“entre eles”) – independente do resultado da gravidez (aborto, ectópica ou o nascimento de um filho vivo) –. Já a secundária é quando o casal já teve uma gravidez em comum, independente do resultado.

Infertilidade Secundária

Com o passar do tempo, ocorrem algumas alterações no organismo que podem levar à infertilidade secundária. É comum que o casal leve até cerca de um ano para gerar um filho de forma natural. E cerca de 8% podem levar mais de dois anos para engravidar. “Mas é preciso entender se há questões de saúde envolvidas nessa demora, inclusive quando a tentativa é para ter o segundo filho”, comenta a especialista.

O primeiro ponto a ser considerado para a dificuldade de ter o segundo filho é a idade da mulher. Isso porque esse fator tem forte influência no sucesso de uma gravidez natural. Imagine o seguinte cenário: a mulher teve seu primeiro filho por volta dos 29, 30 anos. Assim, após uma longa espera, ela e seu parceiro resolvem aumentar a família. “O tempo que passou pode ter um impacto”, diz Cláudia.

Isso porque a partir dos 35 anos ocorre uma queda natural da fertilidade da mulher. Além da diminuição da reserva ovariana, a mulher tem maior chance de desenvolver miomas, endometriose, infecções que poderão contribuir com um aumento no risco de infertilidade.

Quais exames devem ser feitos?

Para entender o que está acontecendo, a mulher deve procurar um especialista, que irá pedir exames laboratoriais e de imagem, como a ultrassonografia endovaginal. E, quando necessário, acompanhamento de ovulação e radiografias da pelve e das trompas, para avaliar principalmente a permeabilidade das tubas uterinas.

A Contagem de Folículos Antrais (CFA) também pode ser solicitada pelo médico. “Ela é realizada por meio da ultrassonografia endovaginal e auxilia na avaliação da chamada reserva ovariana“, explica Cláudia Navarro.

A dosagem dos hormônios FSH (hormônio folículo estimulante), LH e Estradiol está entre os exames. Quanto maior o valor do FSH, menor a reserva ovariana. Entretanto, o resultado vale quando analisado juntamente com o Estradiol. Há ainda o exame de AMH (hormônio antimülleriano), que é mais sensível que o FSH. Seu valor é diretamente proporcional à reserva ovariana, ou seja, quanto maior o valor, melhor a reserva ovariana.

O homem também deve investigar!

“Não podemos descartar alterações no organismo masculino quando o casal enfrenta dificuldades para gerar o segundo filho”, pondera a especialista. Por isso, o homem também precisa entender se há algo de diferente, procurando ajuda de um especialista. O espermograma é o exame que irá indicar a qualidade do gameta masculino. Assim, pode-se descobrir que a diminuição da concentração e da motilidade dos espermatozoides está interferindo no sucesso de uma gravidez.

O importante é que o casal seja avaliado de forma individualizada, levando em consideração o tempo de infertilidade, a história clínica dos parceiros e principalmente a idade da mulher. “O fato de já ter um filho, não dispensa a realização do espermograma”, enfatiza Cláudia Navarro.

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