Como a obesidade pode prejudicar a fertilidade feminina

Publicado em nutrologia, reprodução assistida

A obesidade tem crescido em velocidade quase epidêmica ao redor do mundo. Além dos diversos males que o excesso de peso causa à saúde, ele ainda pode prejudicar a capacidade reprodutiva. E isso impacta na fertilidade feminina.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde – OMS, um em cada oito adultos no mundo é obeso. No Brasil, a 55,7% da população está acima do peso, de acordo com Ministério da Saúde.

Obesidade e desequilíbrio hormonal

De acordo com a especialista em reprodução assistida, Cláudia Navarro, o que acontece é que a obesidade pode provocar problemas cardiovasculares.

E também afetar a estrutura anatômica e despertar um desequilíbrio hormonal. Assim, esse desequilíbrio resulta na alta incidência de disfunções menstruais e falta da ovulação, que causa um risco de subfecundidade e infertilidade.

Então, o que fazer?

Caso a mulher tenha o desejo de engravidar e esteja nessa condição de obesidade, aconselha-se sempre buscar a ajuda de um especialista em reprodução assistida.

O profissional vai apresentar alternativas, como indução da ovulação, inseminação intra uterina ou até mesmo a fertilização in vitro.

Mas é muito importante ressaltar que, antes de se iniciar o tratamento, é indicada a perda de peso com acompanhamento multidisciplinar.

Consequências da obesidade na gestação

Se, mesmo com sobrepeso, a mulher tiver sucesso para engravidar, é importante tomar cuidados durante a gestação.

O risco de aborto e complicações na gravidez podem aumentar em mulheres com sobrepeso.  A obesidade também pode causar problemas como pré-eclâmpsia e diabetes.

Da mesma forma, o bebê pode sofrer conseqüências. No caso de mães diabéticas, há cerca de 50% de chances de que ocorra macrossemia fetal. Ou seja, excesso de peso para a idade gestacional, e hipoglicemia.

Na pré-eclampsia pode ser necessário interromper a gravidez antes da hora, o que irá provocar a prematuridade fetal com todas suas consequências.

Controle do peso

Então, manter uma dieta balanceada é fundamental e é importante que mãe e bebê recebam todos os nutrientes necessários.

O ganho de peso nesse período é normal, mas, ao contrário do que o senso comum diz, a gestante não precisa “comer duas vezes mais”.

Quem está com peso ideal costuma ganhar em torno de 10kg.  Já quem apresenta sobrepeso deve manter esse aumento em, no máximo, 7 kg.

Acompanhamento

O acompanhamento da saúde da mulher como um todo, durante a gestação, é fundamental também. Já que maus hábitos alimentares na gravidez também resultam em consequências após o parto.

Quase 50% das mulheres mantêm alguns dos quilos adquiridos nesse período. A atividade física supervisionada, por exemplo, pode ser uma aliada no controle de peso durante a gestação.

Cálculo de IMC

Obesidade e sobrepeso envolvem excesso de acúmulo de gordura que afetam negativamente a saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), se o índice de massa corporal (IMC) é igual ou maior a 25 kg/m2, o indivíduo apresenta sobrepeso; se o IMC for maior que 30 kg/m2 já existe um quadro de obesidade.

Sobre Cláudia Navarro

Cláudia Navarro é especialista em reprodução assistida. Graduada em Medicina pela UFMG em 1988, titulou-se mestre e doutora em Medicina (obstetrícia e ginecologia) pela instituição federal.

Atualmente, atua na área de reprodução humana, trabalhando principalmente os seguintes temas: infertilidade, reprodução assistida, endocrinologia ginecológica, doação e congelamento de gametas.

 

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