Mioma pode interferir na fertilidade?

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O mioma é um tumor benigno que atinge 80% das mulheres em idade fértil

O mioma uterino é o tumor benigno mais comum no sistema reprodutor feminino. De acordo com a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia – Febrasgo, estima-se que 80% das mulheres em idade fértil tenham miomas. É estimado também que, até 2050, o número de atendimentos cirúrgicos e não cirúrgicos relacionados ao mioma aumente em 23%. “O mioma realmente pode pegar as mulheres de surpresa, mas é importante entender o que ele realmente é e como pode ter impacto na fertilidade”, pondera Cláudia Navarro, especialista em Reprodução Assistida.

A especialista lembra que, entre as mulheres inférteis, pesquisas mostram que ele atinge de 5% a 10% das pacientes. Mas só será responsável pela infertilidade em cerca de 2% dos casos. Ou seja, mesmo que presente, ele raramente é a causa da infertilidade.

Tumor benigno

Apesar de ser um tumor – por isso, causa espanto ao ser diagnosticado –, o mioma é benigno. Isso significa que suas células não se espalham desordenadamente pelo organismo. Ele cresce a partir da parede do útero, e varia de localização e tamanho.

E são justamente essas variações que determinam o impacto que ele terá na saúde do aparelho reprodutor feminino, determinando as chances de uma futura gravidez. “Normalmente, os casos que não requerem tratamento são aqueles em que o mioma é pequeno e não está distorcendo a cavidade endometrial, local onde o embrião irá se implantar”, explica Cláudia Navarro.

Entretanto, o oposto disso – mioma muito grande ou na região do endométrio – merece atenção especial com relação às chances de gravidez. “A mulher pode até conseguir engravidar, mas também poderá apresentar menos chances de que a gravidez evolua”, comenta a especialista. Existem três tipos de mioma: subseroso, intramural e submucoso. Este último é o menos comum, mas, como fica na cavidade uterina, pode ser uma causa de abortamento.

O que fazer?

Você pode estar se perguntando por que os miomas ocorrem. A ciência ainda busca respostas certeiras, mas aposta em fatores genéticos, bem como hormonais.

Para identificar o mioma, a mulher deve procurar seu ginecologista. Ele irá questionar sobre as características do período menstrual da paciente. Isso porque o volume do fluxo, bem como a duração e a intensidade da cólica podem ser indicadores, principalmente naqueles casos de miomas muito grandes ou que se localizam na cavidade uterina.

De qualquer maneira, para confirmar o quadro, o médico deverá solicitar exames de imagem, como ultrassom e histeroscopia (inspeção dentro do útero), dependendo da suspeita da localização.

Identificado o mioma, muitas vezes é necessário apenas um acompanhamento clínico, sem necessidade de cirurgia. A cirurgia só será necessária em casos específicos. Por exemplo, quando o mioma causa sintomas, seja muito grande, ou seja realmente o responsável pela infertilidade ou abortos. “O tratamento com medicamentos se restringe a casos muito específicos. A cirurgia, quando indicada, pode ser realizada por via abdominal ou vaginal, devendo a escolha ficar a critério do médico”, finaliza a médica.

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