Tratamento com peptídeos promete grandes resultados

Publicado em Bem-estar

A norte-americana Frances H. Arnold, seu compatriota George P. Smith e o britânico Gregory P. Winter venceram o Prêmio Nobel de Química 2018, por um trabalho inovador no estudo das proteínas e por conseguirem desenvolver evoluções genéticas dessas macromoléculas em laboratório. Os cientistas foram reconhecidos pelo trabalho de clonar peptídeos, nome dado às moléculas formadas pela ligação de dois ou mais aminoácidos (estruturas que formam as proteínas). O trabalho possibilitou inovações no estudo das Ciências Biológicas, com a criação artificial de anticorpos, capazes de combater enfermidades que afetam o sistema imunológico ou que são responsáveis por alguns tipos de câncer.

 

Por serem moléculas bastante complexas e diversificadas, elas têm muitas funções benéficas para o organismo, que envolvem a produção de colágeno, hormônios e músculos, além de muitos outros benefícios. Nos últimos anos, pesquisas têm revelado que formulações especiais desses peptídeos podem ser usadas para estimular a secreção de hormônios que auxiliam no emagrecimento, com grandes ganhos para a saúde. Diante disso, o tratamento está em alta nos EUA e acaba de chegar ao Brasil, prometendo grandes resultados.

Outros benefícios do tratamento com peptídeos são: proteção contra fraturas, aumento da massa muscular, diminuição da gordura corporal, melhora da capacidade de exercício e redução do risco de doenças cardíacas. Diversos estudos também demonstraram melhora no humor e bem-estar, na qualidade do sono e no tratamento de doenças crônicas. “Cada tipo de peptídeo funciona de uma forma. Especificamente, há peptídeos que podem aumentar a produção de GH, o hormônio do crescimento humano, muito importante como fator de crescimento, peptídeos que promovem regeneração da pele, para tratamentos de determinados tipos de cânceres e  peptídeos que tiram a fome e aumentam o gasto energético emagrecendo mesmo sem grandes dietas restritivas”, explica a médica Sarina Occhipinti, que voltou recentemente de um congresso em Nasville (EUA) específico sobre o assunto.

Grandes promessas do tratamento de peptídeos estão na área de regeneração cerebral. Inúmeros estudos foram feitos com sucesso no uso da substância em casos de Alzheimer e pacientes com lesões cerebrais devido a traumas. Nesses casos, o uso tem se mostrado bastante seguro, efetivo e com poucos efeitos colaterais.

 

Os experimentos com peptídeos têm sido considerados uma grande esperança também para o tratamento da obesidade, porém, como qualquer substância ainda em pesquisa, deve-se manter cautela. A médica conta que algumas pessoas encontram peptídeos para venda on-line ou trazem fórmulas em experimento do exterior e começam a usar sem critério. “Nada em experimento deve ser usado. Já foram descritos vário efeitos colaterais, como reações alérgicas no local da injeção, maior retenção de líquidos (um sinal comum de sobredosagem), boca seca, perda exagerada de peso, dormência, aumento da pressão, dor articular, e diminuição da fertilidade”, esclarece.

Embora os peptídeos ajudem a queimar gordura e são uma promessa para obesidade, eles deverão ser combinados com outras mudanças no estilo de vida, como dieta e atividade física. “A vantagem é que os peptídeos são digeridos e usados prontamente pelo organismo, porque já são fornecidos em tamanhos menores. Assim, o corpo não precisa quebrar uma molécula enorme de proteína, obtida através da alimentação, para obter os aminoácidos necessários para a síntese dos peptídeos. Além disso, existem indícios de que os peptídeos são mais estáveis no corpo e assim são mais benéficos do que os aminoácidos, moléculas mais instáveis”, finaliza Sarina.

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