Um entre quatro pacientes de câncer pode ter outro tumor, aponta estudo

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Pesquisa reforça a importância de um estilo de vida saudável e acompanhamento com exames periódicos, após o tratamento

Uma em cada quatro pessoas acima dos 65 anos que já tiveram câncer pode desenvolver um segundo tipo de tumor, aponta um estudo realizado por pesquisadores do Centro Médico Southwestern da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, divulgado pela JAMA Oncology.

 

Segundo o médico Arnoldo Mafra, rádio-oncologista do Instituto de Radioterapia São Francisco, é fundamental que pacientes que se submeteram ao tratamento contra o câncer façam acompanhamento contínuo, o que favorece a manutenção da saúde e a prevenção de uma nova incidência da doença. “É importante destacar também que, graças às novas tecnologias para diagnóstico e tratamento, e baseando-se no índice de envelhecimento da população, o número de sobreviventes do câncer aumentou consideravelmente. Por isso, esse acompanhamento pós-diagnóstico e pós-tratamento deve ser regular”, reforça o médico.

 

De acordo com o estudo, cerca de 25% dos norte-americanos com mais de 65 anos e 11% dos jovens adultos que já tinham se tratado de um câncer, descobriram depois um ou mais tipos da doença, em outra parte do corpo. Dependendo da região onde a doença foi diagnosticada e da idade, o risco de desenvolvimento de um segundo câncer não relacionado ao primeiro pode variar de 3,5% a 36,9%.

 

A pesquisa ainda apontou que, em diversos casos, o surgimento de um segundo câncer pode ser resultado dos mesmos fatores de risco que provavelmente geraram o primeiro. Entre esses fatores estão fumo, obesidade e infecção pelo Papiloma Vírus Humano (HPV). Um fumante que tenha tido sucesso no tratamento de um câncer no pulmão, por exemplo, pode mais tarde desenvolver outro tumor na bexiga, que também estaria relacionado ao consumo de cigarros.

 

De acordo com Mafra, já se sabe que a obesidade é fator de risco para pelo menos 13 tipos de cânceres, incluindo de útero, esôfago, estômago, fígado, rim, cólon e pâncreas. Por isso, é recomendado que cada vez mais as pessoas adotem hábitos saudáveis de vida e façam acompanhamentos regulares com o médico de sua confiança.

 

“Independentemente se o paciente já ultrapassou o período dos cinco anos de acompanhamento regular após a doença, é importante que ele mantenha hábitos saudáveis e faça exames e consultas periódicas, para evitar ser surpreendido com um novo diagnóstico, principalmente tardio”, ressalta o rádio-oncologista.

 

Vale ressaltar que o número de pessoas que tem ou lida com a doença é cada vez maior. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2030, serão mais de 27 milhões de novos casos, 17 milhões de mortes pela doença e 75 milhões de pessoas doentes. Por isso, falar sobre a doença, investir em hábitos saudáveis de vida, com alimentação balanceada, prática regular de atividade física, e exames periódicos é fundamental.

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