Desmistificando o câncer

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A palavra câncer ainda é um estigma – muitos preferem não pronunciá-la e há quem não goste nem de tocar no assunto, por acreditar ser sinônimo do fim. Mas, será a melhor atitude? O número de pessoas que tem ou lida com a doença é cada vez maior. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 2030, serão mais de 27 milhões de novos casos, 17 milhões de mortes pela doença e 75 milhões de pessoas doentes.

No Brasil, o INCA (Instituto Nacional do Câncer) estima que serão registrados mais de 596 mil novos casos nos próximos anos. Dentre os mais comuns estão o câncer de pele, de mama e próstata. “Hoje, vivenciamos grande desenvolvimento da medicina nessa área. É extremamente importante que o paciente saiba que, definitivamente, câncer não é sinônimo da morte e o tratamento nem sempre é doloroso como imagina”, conta o Radio – oncologista do Instituto de Radioterapia São Francisco, Dr. Arnoldo Mafra.

O médico explica que a palavra câncer é responsável por denominar diversas doenças distintas, com diferentes peculiaridades. Todas têm em comum o crescimento desordenado das células. A enfermidade pode dar sinais ou ser assintomática. Por isso, a maior parte dos diagnósticos é dada por meio de exames de rotina. “O diagnóstico precoce é de extrema importância para um tratamento eficaz, assim como o acesso ao máximo de informações”, destaca.

Após o paciente receber o diagnóstico, ele será encaminhado ao tratamento mais adequado, que pode ser a cirurgia para remoção do tumor; radioterapia; quimioterapia e/ou o transplante da medula óssea. Em alguns casos, mais de uma modalidade deve ser empregada para que a chance de cura seja ainda maior. Apesar da cirurgia ainda ser o procedimento principal para o tratamento dos tumores sólidos, o medo do paciente fica evidente quando é informado que será submetido a sessões de radio e quimioterapia.

Quimioterapia x Radioterapia

A radioterapia pode ser indicada para antes ou depois do procedimento cirúrgico. Ela é capaz de acabar com células cancerígenas pela aplicação de radiações ionizantes na parte afetada. “O número de sessões depende de cada patologia e do estágio em que é diagnosticada. Mas o tratamento não, necessariamente, interfere na rotina de quem está se tratando. Muitos pacientes são capazes de se submeter à sessão e depois irem trabalhar”, afirma Arnoldo. O procedimento só causa efeitos nas partes afetadas pela radiação, por isso, na maior parte dos casos, não se vivencia a queda do cabelo. Hoje, é cada vez mais comum a cura por meio dessa terapia.

Já no processo de quimioterapia, o paciente é medicado por via oral ou intravenosa. Ele recebe os medicamentos que agirão no combate às células cancerígenas, porém outras células do corpo também são atingidas devido ao tratamento. “Pelo fato de a medicação ser aplicada na corrente sanguínea, há uma queda na imunidade do paciente, que fica suscetível a efeitos colaterais e infecções oportunistas”, afirma o médico. Dentre eles estão queda dos cabelos e pelos do corpo e outras reações tais como náuseas e diarreia. “Como o tecido epitelial que reveste o intestino renova-se constantemente, ele é atingido com maior intensidade”, explica o radio-oncologista.

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