Você já ouviu falar do Transtorno Opositor-Desafiador? Entenda a doença que tira a calma de pais e mães.

Por Jaqueline Bifano, psiquiatra infanto-juvenil

É muito comum receber, no consultório, mães preocupadas com a agitação de seus filhos. Muitas dessas crianças não querem respeitar regras e têm a desobediência como palavra de ordem.

Os responsáveis tendem a se sentir culpados por achar que a falha vem por parte deles, que não estão conseguindo educá-los da maneira correta.

Bom, o que eu tenho a dizer para esses pais é: a birra e o problema em seguir ordens, muitas vezes, não têm a ver com falta de respeito, mas sim, com uma doença conhecida como Transtorno Opositor Desafiador – TOD.

Como o próprio nome indica, o TOD é caracterizado pela desobediência contínua às figuras de autoridade, como pais e professores, explosões de raiva, tentativas de irritar os outros e culpá-los por seus erros, comportamento antissocial e impulsividade.

Os sintomas tendem a começar a surgir entre os 6 e 8 anos e atrapalham o convívio tanto em casa, quanto na escola.
As causas ainda não são totalmente claras, contudo,  assim como qualquer transtorno psiquiátrico, uma série de fatores genéticos e ambientais podem influenciar para que ele apareça.

É comum que o TOD esteja associado a outro transtorno, como o de déficit de atenção com hiperatividade – TDAH.
O tratamento envolve terapia para a criança e família e, em casos mais graves, é possível recorrer à medicação.

Nessas sessões com o psicólogo e psiquiatra, crianças e adolescentes aprendem a gerenciar sua raiva e a desenvolver novas formas de lidar com situações estressantes. A terapia também ajuda os pais a aplicar técnicas para intervir em momentos de crise.

De acordo com a Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente, em três anos os sintomas diminuem em aproximadamente 67% das crianças.

Porém, se não for tratado, o transtorno pode desenvolver problemas de conduta, onde o indivíduo passa a violar normas sociais ou direitos individuais e, na vida adulta, em casos extremos, pode acontecer de acarretar em uma personalidade violenta e antissocial.

Fases de rebeldia podem ser normais em alguns momentos da vida contudo merecem atenção especial. O TOD, a desobediência e o comportamento hostil característicos desse transtorno podem gerar consequências sérias na fase adulta.

Procure ajuda médica, caso esteja passando pelo problema em casa.

Izabela Cardoso

Sou Izabela Cardoso Praça, tenho 25 anos, cristã, jornalista, produtora de conteúdo e blogueira. Amo ajudar e inspirar pessoas com a minha história, onde busco superar a depressão e a ansiedade.

One thought to “Você já ouviu falar do Transtorno Opositor-Desafiador? Entenda a doença que tira a calma de pais e mães.”

  1. Boa tarde. Tenho 48 anos de idade. Acho muito curioso ( apenas uma curiosidade, não sou nenhum especialista na área ), mas na época em que eu tinha 8 anos de idade ( 1980 ), tais coisas não existiam. Talvez seja pelo fato de os pais naquela época delimitarem muito bem o que era “autoridade no lar ” e quem estava no comando dentro de casa. Na escola, igualmente. As professoras eram autoridade no ambiente escolar e qualquer manifestação das crianças que se enquadrasse como desrespeito e indisciplina era devidamente tratada pela gestão da escola, juntamente com os pais. O que ocorre hoje ? Acredito que autoridade e disciplina e respeito precisam voltar a pauta na formação das crianças.

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