DIFICULDADE, PROBLEMA, TRANSTORNO OU DISTÚRBIO? COMO CONSTRUIR AS RELAÇÕES DE APRENDIZAGEM?

Julia Marcelina

Professora – Psicopedagoga – Psicanalista

Mestranda em Intervenção Psicológica do Desenvolvimento Educacional

@juliamarcelina23

31  988894765

 

Como sondar a mente de uma criança ou adolescente, sem entender a nossa mente jovem que já se passou? E como construir alguma relação de aprendizagem e entendimento emocional com os jovens e crianças?

Sabe-se que toda esta overdose de novos conceitos sobre as dificuldades de aprendizagem e novos jovens com cada vez mais distúrbios psíquicos se deve ao afrouxamento dos limites, ligados  ao desenvolvimento acelerado da ciência desde a sua origem como Ciência Moderna, no século XVII. Alguns autores trabalham na linha de que , vivemos em um “mundo sem limites”, em que o comando do momento é consumir e competir. Os excessos se mostram preponderantes. A aceleração vivencial no mundo domina o mercado e traz um agravamento em depressão, pânico, TDAH, dislexia entre outras. E nesse ambiente pode-se indagar sobre como estão as crianças, jovens, famílias, educadores e profissionais.

O ser humano quando nasce necessita de outro para sobreviver. O seu primeiro contato é com a mãe, aí se iniciam os primeiros processos de aprendizagem.  A mãe é quem vai levar a criança à primeira vivência de aprendizagem, somente os instintos humanos não propiciariam esta base para aprendizagem, e cada vez mais esse contato com as vivências aceleradas chegam mais cedo para as crianças.

Cada indivíduo apresenta sua bagagem pedagógica, social, afetiva e psíquica, suas diferenciações podem ser pela genética, pelo meio em que vive, pelos seus anseios e desejos. As dificuldades podem acontecer por vários fatores, tais como: a adaptação escolar propriamente dita, sua cultura, sua política, suas experiências pedagógicas, a relação do corpo docente e discente e a metodologia. Outros fatores, que estão fora do ambiente escolar, também contribuem com os impedimentos para a  aprendizagem e podem ser: orgânicos, emocionais, culturais, intelectuais, familiares e mais específicos, como por exemplo algum trauma ou problema de saúde.

Os considerados transtornos ou distúrbios, que devem ser devidamente diagnosticados quando percebidos. As nomenclaturas transtornos, distúrbios, dificuldades e problemas, podem causar algum equívoco para designar diagnósticos diferentes; então, como definir distúrbio, transtorno, dificuldade e problema?

Distúrbio de aprendizagem   se refere a um grupo heterogêneo de alterações manifestas por dificuldades significativas na aquisição e uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas. Os transtornos originam-se de anormalidades no processo cognitivo, que derivam em grande parte de algum tipo de disfunção biológica. Na nomenclatura transtorno de aprendizagem” estão inclusos de três tipos: da leitura, da expressão escrita e das habilidades matemáticas. Os transtornos são descritos nos principais manuais internacionais de diagnóstico conhecidos como CID-10 e DSM-V.

Os distúrbios de aprendizagem são patológicos e orgânicos. A dificuldade de aprendizagem é abrangente e global, está ligada ao aprendente, ao ensinante, a metodologia e conteúdo, a escola e ao ambiente, levando a um problema de aprendizagem. Dificuldade de aprendizagem não é sinônimo de distúrbio de aprendizagem. Deve-se ter cautela e muito cuidado para avaliar uma criança ou adolescente que apresente algum fator que o impeça de aprender e que de alguma forma interfira na sua vida cotidiana. Pois uma avaliação equivocada nas nomenclaturas sobre dificuldade, problema, transtorno e distúrbio pode levar a ações que serão responsáveis pelo não desenvolvimento do aprendente.

 

Analisar essas nomenclaturas na  aprendizagem é uma área complexa, pois quando o sujeito aprende uma tarefa é verificado o seu perfil de aprendizagem. Há crianças e adolescentes que mesmos com QIs elevados apresentam dificuldades específicas na aprendizagem.

É importante observar não só o sintoma que o aprendente apresenta (distúrbio de aprendizagem, indisciplina, desatenção, hiperatividade) mas também as reações externas que envolvem esse sujeito na aprendizagem.

É preciso estar atento para perceber quando há de fato um distúrbio ou apenas dificuldades passageiras que por diversas vezes são resolvidas com facilidade, evitando assim, que essas dificuldades se estendam ao longo da fase da adolescência. Para aprender a criança precisa estar em equilíbrio físico, social e emocional.

As dificuldades de aprendizagem resultam no baixo rendimento, atraso e reprovação. Quanto mais cedo tudo for percebido maior as chances de resolver ou amenizar o problema. O não esclarecimento pode levar ao fracasso escolar e desencadear uma série de problemas de ordem psicológica, como por exemplo, a baixa autoestima e que podem perdurar por anos.  A aprendizagem é um processo que integra pensar, falar, agir e sentir, nesse caminho é preciso estar atento aos impedimentos para que a aprendizagem ocorra, o que dificultou o bom andamento do aprender.

Assim sendo é  preciso ajudar, orientar e, principalmente, identificar corretamente os problemas em torno da aprendizagem, assim como considerar a vida do aprendente, entendendo que ela necessita de equilíbrio.

Sem o pensamento de que é necessário ter o olhar de  um sujeito que vive em um   tempo e um  espaço,  vive em uma época, lugar e em um contexto social e cultural preciso, corre- se  o risco de adotar atitudes educacionais  que reduzem o homem  a um objeto. Diante disto, o acompanhamento diante de um impedimento de aprendizagem deve ser cauteloso para não criar ou fortalecer patologias e culpas em torno do aprendente.

Izabela Cardoso

Sou Izabela Cardoso Praça, tenho 25 anos, cristã, jornalista, produtora de conteúdo e blogueira. Amo ajudar e inspirar pessoas com a minha história, onde busco superar a depressão e a ansiedade.

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