A beleza como forma de combater o racismo

Mulher negra
Foto: Pixabay-negra como forma de combater a racismo

 

O espaço

Negra D Espaço Afro aposta na beleza negra como forma de combater a racismo

Localizado na zona norte de Capital Mineira, o Negra D Espaço Afro vai muito além de ser uma simples espaço de embelezamento de cabelos, na verdade o local se tornou um ambiente de combate ao racismo. Isso porque muito além de embelezar, tratar e recuperar os cabelos crespos, o empreendimento tem ainda como foco melhorar a autoestima do negro para pessoas que ainda não conhece a história do negro, da importância dele na construção do Brasil.

Entrevista

A proprietária Daniele Elide do Carmo é uma mulher negra empolderada e utiliza seu salão como forma de resistência. “Tento colocar na mente de todas as clientes, a importância que fomos e somos para este país. Mostro para elas que nossos ancestrais foram o alicerce desse País e que nós temos que honrar o nosso passado não abaixando a cabeça”, ressalta.

Seu trabalho

Daniela faz um trabalho de formiguinha. Aquele trabalho poucos dá valor, mas que é continuo e traz grandes resultados. Muitas clientes chegam ao salão desesperadas dizendo que não gostam dos seus cabelos, que não aprenderam a cuidar deles.  Então ela faz não só um trabalho de resgate a autoestima, como também de valorização de toda a cultura negra. “Eu gostaria muito que as mulheres entendessem que o nosso cabelo representa muito mais que a nossa beleza, ao desestruturar esse cabelo estamos desestruturando a nossa identidade, a nossa raiz, a nossa ancentralidade,”, completa.

Mas nem sempre foi assim, Daniela passou por um processo de reconhecimento próprio como a maioria dos negros. Ela nasceu em 1977, na capital de São Paulo. Filha de manicure e depiladora, praticamente foi criada dentro de um salão de beleza, e aos cinco anos sua mãe já alisava seu cabelo, primeiro com pente de ferro quente, depois com Welim, Henne e outros alisantes.

Seus 12,13 anos

Aos 12 se mudou para o interior deste mesmo Estado e se lembra que o local tinha uma população extremamente racista. Sua família era a única negra da pequena cidade. Ela se lembra que nesta época ia ao clube com as amigas, mas não entrava na piscina, pois o cabelo era alisado artificialmente e se molhasse iria enrolar, e as amigas poderiam rir dela. Aos 13 veio com os pais para Belo Horizonte e descobriu uma pessoa que alisava com pasta, a mãe colocava rolim e ela finalizava com touca. Conheceu todos os processos de alisamento que existiu.

O que Herdou

Herdou da mãe o amor por cabelos e aos 17 anos se formou como técnica em cabeleireira do Senac. Daí por diante decidiu que seria a melhor cabeleira, que pudesse. Contudo, na época achava que o ápice da carreira seria como especialista em louras, uma vez que sua referência de cabelo que ela tinha era o liso.  Fez vários cursos na área. Morou em Londres por três anos  e aproveitou para escudar um pouco mais. Ela era considerada uma ótima cabeleira, mas não era satisfeita com a profissão e não entendia o motivo.

A mudança

A mudança começou quando sua primeira filha nasceu. Como era de esperar a menina tinha os cabelos crespos e Daniela não queria que a filha passasse pelos mesmos problemas. Incentivada também pelo marido, Daniela decidiu que nunca mais iria alisar o cabelo. Passou pelo processo da transição, colocou um mega hair e depois seu cabelo cresceu e ficou totalmente natural. “Somente nessa época que comecei sentir uma pessoa extremante empoldeirada, veio uma força de dentro para fora, parece que eu me respeitava mais, naquele momento eu era quem eu queria ser”, orgulha-se.

A mudança pessoa favoreceu a mudança profissional. Como o cabelo de Daniela era muito bonito, toda vez que ela dizia que era cabeleireira, as pessoas perguntavam se ela era especialista em crespos. “Neste momento decidi me especializei em cabelos crespos, e montei um espaço só focado para esse tipo de cabelo”, conta.

Atualmente

Atualmente, ela se emociona quando percebe que sabe cuidar do seu cabelo e do cabelo de outras mulheres e ainda resgata para elas a história que, muitas vezes, elas não ouviram na escola. Isso tem sido gratificante, eu tenho me realizado como pessoa e como mulher. Eu nunca me senti tão feliz na minha vida. Meu cabelo é minha identidade negra. A minha raiz é minha anscentralidade que vem da minha amada África”, finaliza.

Sandra Mara – Jornalista

Leia: https://blogs.uai.com.br/projetometamorfose/como-ajudar-alguem-com-claustrofobia/

Izabela Cardoso

Sou Izabela Cardoso Praça, tenho 25 anos, cristã, jornalista, produtora de conteúdo e blogueira. Amo ajudar e inspirar pessoas com a minha história, onde busco superar a depressão e a ansiedade.

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