Vale a pena jogar no futebol brasileiro?

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Daniel Alves, Filipe Luís, Rafinha e Juanfran decidiram migrar para o futebol brasileiro depois de sólidas carreiras na Europa. Deixaram de lado a segurança no Velho Continente para viver de perto os problemas sociais pelos quais passa o Brasil (miséria, desigualdade social, assaltos, violência, corrupção dos governantes). Mas o que leva um jogador badalado a voltar ao futebol nacional?

Juanfran é exceção na lista, pois é a primeira vez que o lateral espanhol atua por aqui, convencido pelo projeto arrojado do São Paulo. Os demais foram pelo mesmo caminho. No Brasil, há a chance de eles receberem altos salários a serem pagos pelos clubes, com vencimentos próximos ou acima de R$ 1 milhão mensais. Além disso, os veteranos veem a oportunidade de serem ídolos maiores pela primeira vez na carreira.

Melhor jogador da Copa América no mês passado, Daniel Alves, ex-PSG, chegou ao São Paulo muito festejado pela torcida no Morumbi, com público acima de 30 mil. Na Europa, por mais que tenha currículo vencedor (são 40 títulos na carreira), o jogador viveu às sombras de Messi (no Barcelona) e de Neymar (no PSG). No tricolor, ele vem jogando com a camisa 10 e já é o xodó de uma torcida que sonha com títulos de expressão desde 2012, quando a equipe venceu a Copa Sul-Americana.

Juanfran (ex-Atlético de Madrid), também do São Paulo, disse que veio por causa do projeto ambicioso e pelo novo desafio na carreira. Todos eles sabem que o futebol brasileiro é muito inferior tecnicamente se comparado ao nível europeu. Portanto, é possível jogar em alto nível mesmo com idade avançada.

Contratados pelo Flamengo, Rafinha (ex-Bayern de Munique) e Filipe Luís (ex-Atlético de Madrid) foram persuadidos com o projeto a longo prazo do clube: voltar a ser campeão da Libertadores, algo que não ocorre desde 1981. Ambos contam com o importante auxílio do português Jorge Jesus, técnico rubro-negro, que tem visão mais moderna do “futebol total e compacto”, ideia de jogo na Europa em que todos os atletas defendem e atacam em seus setores.

Há de se levar em conta que eles terão inúmeros desafios, como se adaptar ao estilo de jogo no Brasil (que é mais truncado do que na Europa), ao clima quente e à pressão das torcidas, que normalmente pegam no pé dos atletas quando a coisa não vai bem.

Ainda assim, a expectativa é de que eles deem o retorno aos clubes, seja técnico e/ou financeiro. Muitos exemplos podem dar certo ou fracassar. Artilheiro e campeão da Copa do Mundo de 2002, Ronaldo aceitou o convite do Corinthians e se tornou ídolo da torcida com a conquista da Copa do Brasil de 2009. Zé Roberto também se deu bem ao jogar por Grêmio e Palmeiras, seus últimos clubes no país antes de se aposentar com 42 anos.

Por outro lado, há aqueles que não conseguiram êxito quando deixaram a condição de ídolo na Europa pela regularidade no Brasil. O primeiro deles foi Romário, em 1995, ao desembarcar no Rio como jogador do Flamengo, um ano depois de conquistar o tetracampeonato nos Estados Unidos. O camisa 11 não obteve títulos importantes pelo rubro-negro, o que tornou sua contratação um fracasso.

Outro exemplo foi Rivaldo, então campeão mundial em 2002 com a Seleção Brasileira e que não teve o rendimento satisfatório quando foi contratado pelo Cruzeiro em 2004. Ronaldinho Gaúcho passou por situação parecida depois de trocar o Milan pelo Flamengo em 2011. O jogador só teve recuperação ao se transferir para o Atlético em junho de 2012.

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