Uma incógnita chamada Calleri

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Pela enorme capacidade de finalização e posicionamento na área adversária, o argentino Jonathan Calleri foi uma das gratas surpresas do São Paulo na última temporada. Marcou nove gols em 12 jogos na Libertadores, quatro no Campeonato Paulista e por algum tempo solucionou um problema no tricolor paulista, que existia desde a saída de Luís Fabiano para o futebol chinês. A torcida até fez um canto somente para ele; “Toca no Calleri que é gol”. No clube paulista, o jogador que foi cobiçado pelo Atlético jogaria apenas seis meses. Seu destino já estava traçado: ele jogaria a Olimpíada do Rio e em seguida partiria para a Europa, possivelmente para a Internazionale, onde daria um salto na carreira.

Mas tudo deu errado. A começar pelo desempenho ruim da Argentina no Rio – os alvicelestes foram eliminados ainda na fase inicial do torneio de futebol. E a saga do atacante de 23 anos continuou sendo de insucessos. A negociação com os italianos foi frustrada e ele foi para o pequeno West Ham, da Inglaterra. Com os direitos federativos fatiado entre um grupo de empresários sul-americanos, o destino do jogador sempre foi alvo de brigas e discussões entre eles, que discordavam em relação a valores.

No clube da terra da rainha, Calleri fez apenas 19 jogos e um gol, desempenho muito abaixo das expectativas. Não se adaptou ao esquema do técnico croata Slaven Bilic, que privilegia o jogo por baixo e as trocas de passes. Sem chances, deixou a equipe e acertou com o Las Palmas, da segunda linha da Espanha, equipe que fez campanha impressiva no último nacional. Antes de optar para jogar no país espanhol, o São paulo tentou, sem sucesso, contratá-lo.

A saga de Calleri se assemelha a de outro atacante argentino, Luciano Figueroa, que hoje joga no Takzim, da Malásia. O jogador estava no grupo que ganhou a medalha de ouro na Olimpiada de Atenas, em 2004, e foi vice-artilheiro e vice-campeão da Copa das Confederações de 2005, na Alemanha, superado pelo Brasil. Depois disso, passou por outras equipes menores, como Genoa, Villarreal e não teve sucesso nas oportunidades no Boca Juniors e no River Plate. Acabou sendo esquecido.

Outro exemplo é o armador Moralez, que atua no New York City. Ele surgiu no Racing em 2005 e dois anos mais tarde foi campeão mundial Sub-20, no Canadá. Mas uma tentativa frustrada do clube de Avellaneda o levou para o Fc Moscou, onde não se destacou. A partir daí, foram inúmeras as tentativas de dar um novo rumo à carreira: o próprio Racing, Vélez Sarsfield, Atalanta e León. Mas nada surtiu efeito.

De certa forma, os talentos só rendem bons frutos se suas carreiras forem administradas com inteligência, sem levar em conta apenas o dinheiro envolvido nas transações. Não é só na Argentina. Os clubes e empresários brasileiros precisam aprender a gerir melhor as joias para que elas se tornar realidade no futuro.

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