Tempo de protestos

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Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Além da confirmação do tricampeonato do Cruzeiro, a semana futebolística no Brasil foi marcada pelas diversas manifestações dos jogadores no “Bom Senso FC”. Nos jogos da 33ª rodada, os atletas esperaram o apito inicial e depois cruzaram os braços em sinal de protesto, exigindo profundas mudanças nas regras que regem o esporte no Brasil.

Não há melhor momento para uma evolução geral no nosso país. Os holofotes estão a nossa volta, principalmente pela realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. Greve é direito do trabalhador comum e o jogador não foge disso. Mesmo que eles tenham salários astronômicos, podem e devem lutar por melhores condições, como um calendário digno, participaçãio efetiva nos arbitrais de competição, implantação do fair play financeiro (clubes não podem gastar mais do que devem em contratações), além de férias dignas e pré-temporadas mais curtas.

O presidente da CBF, José Maria Marin, e seu vice, Marco Polo Del Nero, são contra as manifestações nos estádios, afirmando que o prejudicado é o torcedor. Mas torcida e jogadores estão do mesmo lado na tentativa de fazer um espetáculo melhor. E existem vários líderes engajados no projeto, como o goleiros Dida, Fábio e Rogério Ceni, o zagueiro Gilberto Silva, o armador Alex, o atacante Luís Fabiano, entre outros. Eles estão fortemente envolvidos em prol da causa e, quem os idolatra, geralmente estará do lado.

Realmente o futebol precisa mudar muito. Deixar de ter o controle de patrocínios ou parcerias e passar todas as decisões aos clubes. Impedir que mandatários ficam por muito tempo à frente das agremiações. E de certa forma tentar fazer um espetáculo mais democrático, com partidas mais cedo e com ingressos baratos. O Brasil, dono do melhor futebol do mundo, tem de ser exemplo para outros países da América do Sul e da Europa. Temos o melhor campeonato de clubes do mundo, mas as regras não são bem formuladas, a ponto de vários atletas ficarem de fora na reta final justamente pelo calendário apertado, cheio de jogos.

O interessante, como foi feito na Argentina há alguns anos, é adequar o calendário brasileiro ao europeu. Assim, nossa seleção estaria ainda mais forte nos Mundiais, já que os jogadores teriam melhor preparação e férias dignas de um ser humano comum. Repito: mesmo com salários astronômicos, eles são seres humanos e a profissão requer riscos e cuidados especiais.

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